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Atriz Rogéria morre aos 74 anos no Rio de Janeiro

Ela era a transformista mais antiga de todo o país em atividade.
GABRIEL SOARES
05/09/2017 09h17 - atualizado

A atriz Rogéria faleceu na noite dessa segunda-feira (4), em um hospital Barra da Tijuca. Ela estava internada no local com um caso de infecção urinária. O corpo da atriz de 74 anos, será velado a partir das 11h desta terça (5), no Teatro João Caetano, no Centro do Rio.

De acordo com a Agência Brasil, Rogéria foi internada em 13 de julho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Clínica Pinheiro Machado. Ela estava com um quadro de infecção urinária, foi intubada na tarde do dia seguinte ao ser constatada uma pneumonia. Porém, apresentou melhora e recebeu alta.

  • Foto: Tv GloboRogériaRogéria

Nascida com o nome de Astolfo Pinto, ela nasceu em 1943 em Cantagalo, no norte do Rio de Janeiro. Homossexual assumido na adolescência, Astolfo virou transformista e trabalhou como maquiadora, ainda com o nome masculino, na extinta TV Rio.

O nome Rogéria surgiu em 1964, quando venceu um concurso de fantasias no carnaval daquele ano. A frente de seu tempo, a atriz foi a mais antiga transformista em atividade no Brasil.

Ao lado de outras travestis pioneiras como Jane di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Brigitte de Búzios e Marquesa, Rogéria se apresentava no Teatro Rival, na Cinelândia (centro do Rio de Janeiro).

Elas foram homenageadas pela também atriz e diretora Leandra Leal no documentário Divinas Divas, premiado no Festival do Rio do ano passado que pertence à família de Leandra Leal há várias gerações.

Rogéria, que convivia com os atores da TV Rio, se sentiu estimulada a interpretar. Ela estreou nos palcos em maio de 1964, em um show de travestis na Galeria Alaska, então reduto gay de Copacabana.

Posteriormente, participou em diversos de shows, peças teatrais e programas de televisão. Foi muitas vezes como jurada nos programas de Chacrinha, Luciano Huck e outros apresentadores. Integrou o elenco de 11 filmes brasileiros e novelas como Tieta (1989), Paraíso Tropical (2007) e A Força do Querer (2017). Sua última participação na TV e, no teatro, recebeu o Troféu Mambembe em 1979 pelo espetáculo que fez ao lado de Grande Otelo.