Piauí

CRM-PI aponta riscos a recém-nascidos na Evangelina Rosa

Órgão fiscalizou maternidades após denúncias de funcionários.
GABRIEL SOARES
19/05/2017 09h50 - atualizado

O Conselho Regional de Medicina realizou fiscalizações na Maternidade Dona Evangelina Rosa após receber denúncias de médicos que trabalham no hospital. Entre os principais motivos estão a superlotação, inclusive, de pacientes sem complicações graves, que poderiam ser atendidas em maternidades de bairro da capital Teresina. O motivo, segundo queixas de plantonistas, são falhas na Central de Regulação do Estado, bem como a falta de infraestrutura adequada nas unidades hospitalares no interior.

  • Foto: Divulgação/CRM-PIRecém nascidos estriam sendo atendidos de forma inadequada na MatrenidadeRecém nascidos estriam sendo atendidos de forma inadequada na Matrenidade

Pelo CRM-PI, a ação contou com a presidente Mírian Palha Dias Parente; com o vice-presidente, Dagoberto Barros da Silveira, e o médico fiscal Francisco Marivaldo, além da presença do Ministério Público Estadual, por meio da promotora Karla Daniela Carvalho.

Na entrada do hospital, a equipe de fiscalização ouviu uma parturiente do município de Regeneração, que estava há 12 horas sem atendimento e não passou por regulação ou encaminhamento para avaliação do seu estado de saúde. Para o CRM-PI, é uma situação irregular e constrangedora para a paciente, inclusive com grande risco de infecção.

Nas alas do centro cirúrgico, foram encontrados graves problemas no atendimento e nas instalações. O quadro de funcionários é insuficiente para demanda de partos cesarianas assim como as vagas para recém nascidos que precisam ficar internados e até mesmo passar por cirurgia. Segundo alguns médicos presentes no plantão, o atendimento seria melhor se houvesse uma regulação mais estratégica, pois a Central de Regulação encaminha pacientes em trabalho de parto justificando a falta de vagas em outros unidades hospitalares.

  • Foto: Divulgação/CRM-PIMaternidade Evangelina Rosa possui rachaduras no piso e no teto.Maternidade Evangelina Rosa possui rachaduras no piso e no teto.

A situação mais crítica, segundo a fiscalização, foi registrada no Centro Obstétrico Superior – COS, onde recém nascidos mantinham-se internados dentro de salas cirúrgicas ao invés de possuírem uma ala própria. No local são realizados inúmeros partos. Assim não há local apropriado e nem leitos disponíveis para recém nascidos. Os outros bebês estavam internados de forma inadequadas no COS, fora da UTI neonatal, recebendo um tratamento improvisado pela falta de vagas.

  • Foto: Divulgação/CRM-PIFuncionários da lavanderia da Evangelina Rosa trabalham em condições insalubresFuncionários da lavanderia da Evangelina Rosa trabalham em condições insalubres

Outra falha grave são as pacientes que ficam por 12 horas ou mais na sala de recuperação pós anestésica. Elas deveriam ficar apenas duas horas no local. Mas não há leitos disponíveis nas enfermarias, geralmente superlotadas. Havia também leitos sem monitores cardíacos e oxímetro de pulso - obrigatórios pelas normas de saúde – rachaduras no piso e nas paredes acumulando lixo e poeira e ausência de ar-condicionado.

A lavanderia da Evangelina Rosa também tinha problemas, como a falta de equipamentos de proteção individual, ambiente insalubre e ruído acima do permitido pela legislação trabalhista. A diretoria da maternidade será notificada e receberá um prazo para cumprir as normas sanitárias de saúde.

O CRM-PI realizou uma reunião do Fórum Interinstitucional Permanente de Saúde na noite dessa quinta-feira (18), na Plenária do Conselho, onde foram convocados vários secretários de Estado, como o de Saúde, Administração, Fazenda, o presidente da FMS, Silvio Mendes, e diretores e gestores da MDER e de maternidades de bairros, além da diretoria da Central de Regulação do Estado, em busca de soluções práticas, principalmente para acabar com a superlotação e a falta de condições de trabalho e de estrutura na Maternidade.