Polícia

Delegado aponta estruturas precárias e deixa o cargo em Picos

Sindepol destaca que a Central de Flagrantes da cidade opera de forma irregular.
MARCOS CUNHA
05/05/2017 19h02 - atualizado

O responsável pela Delegacia Regional de Picos, delegado Jônatas Felix, decidiu entregar cargo por conta da falta de estruturas e acúmulo de funções para funcionamento mínimo. A orientação para a saída foi dada pelo sindicato, que garantiu que o fato deve ser seguido por vários outros que exercem tal função. A Delegacia Regional de Picos atualmente atende a cidade e mais outros 15 municípios da região.

“Eu fiz um ofício entregando o cargo de delegado regional, porque aqui eu acumulo regional, delegado do 1º DP, mais cinco cidades e ainda dou plantões, então eu disse que abria mão dessa função. Expliquei a situação, falta de estrutura, falta de efetivo, acumulação de várias cidades, e dizendo que não tinha condições de ser mais delegado regional”, repassou Jônatas Felix.

O delegado explicou que a função cuida da parte administrativa da Delegacia, como distribuição de combustível, fazer escalas dos policiais, comunicar assaltos e instaurar sindicâncias, toda a questão representativa da Polícia Civil na região, no caso de atendimento a promotores e juízes.

Em carta aberta publicada hoje (05), o Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Piauí (Sindepol) apontou que tal situação, além de ilegal, é considerada de impossível cumprimento. “Atente-se que fere de morte a carga horária estatutária da Polícia Civil, a qual estabelece 44 horas semanais, a serem dadas em regime de plantão ou de expediente, nunca concomitantemente, em caráter perpétuo, ininterrupto, sem descanso, como está sendo feito”, informou.

O Sindepol destacou ainda que a Central de Flagrantes da cidade opera de forma irregular, com superlotação, o que acaba acarretando o trabalho dos civis. “A Central de Flagrantes abriga em média uma população carcerária de 28 (vinte e oito) presos, em dois cubículos que chamam de celas, as quais são totalmente inadequadas, novamente, ao arrepio da lei, cito das Execuções Penais, isso sem considerar o flagrante desvio da função policial civil, que não tem como atribuição constitucional a custódia de presos”, informou.

Por fim, o sindicato garantiu que vai adotar providências junto ao Ministério Público Estadual e Federal, e que o governo do Estado do Piauí será acionado judicialmente para responder “por tamanhos maus tratos à sociedade piauiense”.

Outro lado

A reportagem tentou contato com o delegado geral da Polícia Civil do Piauí, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta matéria. A assessoria da Secretária de Segurança afirmou que não vai se posicionar sobre o caso.