Política

Joesley e Saud dizem que Ciro Nogueira recebeu mala com R$ 500 mil

O pagamento de propina ao senador foi confirmado em depoimento à Polícia Federal.
RAYANE TRAJANO
12/09/2017 07h30 - atualizado

O senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressista (PP), recebeu uma mala com R$ 500 mil da JBS e doações via caixa dois na campanha eleitoral de 2016. Foi o que disseram Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos do grupo J&F, holding que controla a JBS.

O pagamento de propina ao senador já havia sido declarado na delação dos executivos e foi confirmado por eles ontem (11), em depoimento à Polícia Federal. Os dois delatores foram presos no domingo (10), à pedido do Ministério Público Federal.  

Sobre o dinheiro entregue ao senador, os executivos deram depoimentos um pouco distintos. Ricardo Saud disse que a mala de dinheiro foi entregue a Ciro Nogueira, na casa de Joesley. O senador teria colocado a mala com os R$ 500 mil em um carro conduzido por seu motorista. Os executivos queriam gravar o momento, mas o carro foi estacionado em um local onde a câmera de segurança não capturava a cena.  Saud não mencionou quando foi feito o pagamento.

  • Foto: Edilson Rodrigues/Agência SenadoCiro NogueiraCiro Nogueira

Joesley também relatou um pagamento de R$ 500 mil a Ciro Nogueira, mas não se sabe se é o mesmo pagamento informado por Saud. Joesley disse que o dinheiro em espécie foi entregue na casa de Ciro Nogueira e era a primeira parcela de um pagamento de R$ 8 milhões para o PP ajudar Dilma Rousseff, na votação contra o impeachment, em abril de 2016.

O empresário afirmou que o pagamento foi feito após Gilles Azevedo, ex-assessor de Dilma, lhe pedir para falar com o senador depois da saída oficial do PMDB do governo. Segundo ele, Ciro prometeu que ajudaria, inclusive com o PR, em troca dos R$ 8 milhões.

  • Foto: Rovena Rosa/Agência BrasilJoesley BatistaJoesley Batista

Joesley alegou que não relatou esse pagamento na delação porque "a entrega de dinheiro não teve a ver com ato de ofício no governo, mas como membro do partido, para mudar de posição" e acreditava que não se tratava de crime.

O dinheiro foi para adiar a decisão do PP sobre o impeachment, para dar uma chance à Dilma, mas a situação só piorou, Dilma foi retirada do cargo e as demais parcelas dos R$ 8 milhões não foram pagas "por razões diversas".

Joesley Batista disse também que Ciro Nogueira era um dos três maiores interlocutores sobre o que acontecia com a JBS na operação Lava Jato. Além dele, os mais próximos eram o presidente Michel Temer (PMDB) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).