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Senado vai debater a privatização da Eletrobras em audiência

O senador Jorge Viana (PT-AC) critica o governo por querer entregar, segundo ele, por R$ 20 bilhões o controle de um sistema que é um dos maiores do mundo.
VITOR FERNANDES
30/08/2017 17h00 - atualizado

A Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) aprovou nesta quarta-feira (30) realização de uma audiência pública para debater a proposta do governo de privatizar o sistema Eletrobras. A audiência ainda não tem data definida.

Serão convidados para a audiência o ex-ministro de Minas e Energia Nelson Hubner; o ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética Maurício Tolmasquim; o ex-diretor da Eletrobras Luiz Pinguelli Rosa; o presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino; coordenador da Plataforma da Energia, Gilberto Cervinski; o ex-presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, João Bosco Almeida; e um representante da atual gestão da Eletrobras.

O processo de privatização da Eletrobrás, que ainda será definido por meio de edital, foi bastante criticado durante a reunião de hoje.

Jorge Viana (PT-AC), um dos senadores que fizeram o pedido de audiência, considera "algo muito grave" o governo abrir mão da gestão de um setor estratégico para o desenvolvimento nacional, lembrando que países como a China mantém um sistema que é totalmente estatal. Ele quer que o processo de privatização seja interrompido.

“E não só a China, todas as nações de maior relevância geopolítica tratam o setor elétrico como umbilicalmente ligado à segurança e à soberania do país. Inclusive os Estados Unidos, com 15% de sua matriz hidrelétrica, toda ela estatal”, disse o senador.

  • Foto: Jefferson Rudy/Agência SenadoSenador Jorge Viana (PT-AC).Senador Jorge Viana (PT-AC).

O senador mencionou os ativos do sistema, que incluem 47 usinas hidrelétricas, 69 usinas eólicas, 114 termelétricas, fora os setores ligados à distribuição e à transmissão. Ele disse que a "maneira apressada" com que o governo quer tocar o processo, sem discuti-lo de forma mais aprofundada com a sociedade "um crime de lesa-pátria".

“A verdade é que este é um governo que não passou pelas urnas, é ilegítimo. E agora quer entregar por R$ 20 bilhões o controle de um sistema que é um dos maiores do mundo, onde já foram investidos mais de R$ 400 bilhões”, afirmou o senador.

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