Política

“A atual gestão não quer mais evoluir”, declara Fábio Abreu

Em entrevista ao Viagora, o deputado federal falou sobre suas estratégias de campanha, suas propostas para Teresina, fez uma análise sobre a gestão tucana na cidade e rebateu críticas.
19/10/2020 06h19 - atualizado

O Viagora está realizando uma série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura de Teresina. O entrevistado da vez é o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Fábio Abreu (PL).

O candidato falou sobre suas estratégias de campanha, propostas para a capital, expectativas para a eleição, fez uma análise da atual gestão do PSDB no Palácio da Cidade e comentou declarações de outros candidatos sobre a sua gestão na Secretaria Estadual de Segurança Pública.

Em entrevistas recentes, o candidato Kleber Montezuma (PSDB) tem afirmado que os candidatos de partidos aliados ao Palácio de Karnak representam o mesmo modelo de gestão petista. Para Fábio Abreu, o fato de existir uma proximidade com o governador não é uma coisa ruim, que Teresina só teria a ganhar com a comunicação direta da prefeitura com o Governo do Estado.

“É mais uma prova da teoria do isolamento, da teoria de que o mundo do município é deles, que eles são os donos de Teresina. Qual o problema de eu como prefeito me comunicar com o governador? Eu sempre digo que eu não tenho arestas, não tenho nenhum problema com isso, e como gestor, eu sou obrigado a não ter. Para mim, é uma facilidade enorme eu assumir a prefeitura e dizer que vou integrar várias ações do município com o Governo do Estado. A nossa candidatura é do PL, o partido do governador é o PT e tem um candidato próprio, mas é inegável que eu tenha essa relação e sou disposto a qualquer linha, seja com o Governo do Estado ou com o Governo Federal. Aquilo que for bom para Teresina, pode contar comigo”, disse.

  • Foto: Luís Marcos/ViagoraCandidato a prefeito de Teresina, Fábio AbreuFábio Abreu, candidato a prefeito da capital pelo PL.

O deputado federal comentou que defende a alternância de gestão no Palácio da Cidade e que a administração tucana “não quer mais evoluir”.

“Eu tenho adotado a postura de fazer observações, em vez de críticas, porque quando você faz uma observação, você tem que apontar uma solução. A observação que eu faço, por exemplo, com esse tempo exagerado de permanência na gestão é que você observa problemas simples, mas que mostram o cansaço da gestão. A pessoa entra na UPA do Renascença, faz um raio-x, e o médico entende que ele tem que ir para o HUT. Quando chega no HUT, ele tem que fazer outra radiografia. Nós temos um sistema na medicina que alguém faz um exame aqui, e pode levar até na China, pela tecnologia. E por que Teresina não faz isso? Porque o gestor de TI lá do HUT diz que não aceita integrar. Eles põem a pessoa no raio-x duas vezes, só porque ele não quer. Qual a sensação que isso passa? É que ele é o dono da gestão. E assim tem vários pontos que nós observamos da gestão que ela não quer mais evoluir, porque entende que o que está sendo feito é o ideal. Isso prejudica as pessoas. A alternância de poder é vital. O que nós estamos tratando aqui é de uma oxigenação, o próximo prefeito tem que representar essa ruptura. Não adianta o candidato do prefeito dizer que vai fazer um choque de gestão. Quando se faz um choque de gestão é porque está tudo errado. Se está errado, não tem como fazer esse choque de gestão se forem as mesmas pessoas, a mesma estrutura, a mesma sensação. Não estou dizendo que está tudo errado, mas é preciso essa alternância para que pontos que estão sendo apontados pela população sejam efetivamente mudados”, declarou.

Durante a pré-campanha, alguns pré-candidatos a vereador na chapa de Abreu afirmaram que se sentiam “abandonados” pelo ex-secretário. Para ele, isso se deve ao fato de que sempre deu liberdade de pensamento para os membros da chapa proporcional.

“Nós temos como característica em Teresina, na verdade no Brasil todo, que os partidos não são partidos fortes, partidos tradicionais, então a gente observa muitas candidaturas que às vezes as pessoas não se identificam com o partido pela tradição, e nós buscamos fazer com que os candidatos se sintam bastante à vontade. Meu objetivo sempre foi dar liberdade às pessoas quanto aos seus pensamentos, ações, mas o que eu tenho observado é justamente o contrário. Nós temos partidos, principalmente o PL com a sua composição fechada, nós não fizemos quantitativo básico, até mesmo porque o que nós entendemos é que as pessoas que fazem parte do nosso grupo são voluntários que estão ali para defender a nossa candidatura, e continuou nessa linha. Nós tivemos o Republicanos, que parte dele era da base do prefeito, seria natural que nem todos os candidatos viessem, também porque, volto aqui a dizer, eu tenho um pensamento de democracia. Então mesmo o Republicanos veio quase que todo. O PMN da mesma forma. Então hoje posso dizer que nós temos em um mesmo alinhamento e com a adesão de outros candidatos, nós temos candidatos do Avante e de outros partidos, o PSL por exemplo, que estão conosco”, afirmou.

  • Foto: Luís Marcos/ViagoraCandidato a prefeito de Teresina, Fábio AbreuFábio Abreu rebateu críticas de outros candidatos à sua gestão na SSP.

O candidato do Patriota, Major Diego Melo, tem feito críticas à gestão de Fábio Abreu frente à SSP, declarando que durante a administração do candidato do PL “Teresina se tornou refém de facções criminosas”. Sobre isso, Fábio afirmou que seriam declarações “totalmente descabidas” e que o opositor “não conhece Teresina”.

“É uma declaração totalmente descabida. É a declaração de alguém que não conhece a história das facções. Uma facção como o PCC, por exemplo, o berço é São Paulo, achou ali uma guarita de políticos do PSDB, tanto no estado quanto no município, então é lá que ela conseguiu se estabelecer e se espalhou por todo o Brasil. O último estado que está tendo a presença de facções é o Piauí, porque desde o início a gente esteve combativo, a minha vida operacional me permitiu fazer isso. O que acontece é que não se estabelece em Teresina a característica da facção, que é dominar território. Eu pergunto, talvez o candidato nem conheça Teresina, mas se ele andar na cidade, em algum lugar que diga que um policial militar não ande, numa rua, em qualquer lugar. Eu o desafio nisso daí, sempre fiz esse desafio. Enquanto força tiver, nós sempre vamos ter os profissionais [da Segurança Pública] Recentemente tivemos uma operação para prisão de facções, onde foram cumpridos 29 mandados. Nisso vem outro problema que a Segurança Pública sempre enfrentou que é a liberdade dos presos. Se nós tivéssemos o cumprimento das penas pelo menos o que está previsto no código hoje, nós teríamos um grande alívio, mas em pouco tempo eles já estão soltos e vão voltar ao crime. Com isso, existem pessoas faccionadas sim, eu sempre disse que no sistema prisional tem faccionados em outros estados e começaram a batizar aqui, mas a facção não se estabeleceu aqui para fazer o que geralmente faz, que é o domínio de território, roubos grandes, que é para adquirir dinheiro para investir na droga, e nem a própria quantidade de usuários de droga, não temos uma crackolândia estabelecida em Teresina, pela ação dos nossos profissionais. Vai sair um anuário agora, Teresina e o estado do Piauí continuam com os índices mais brandos do Norte-Nordeste”.

“Na minha gestão, nós criamos o primeiro plano de segurança pública do estado, foi o primeiro participativo, ou seja, a população participou da criação desse plano. Se na área da segurança, eu abri as portas para a população participar da elaboração do plano, imagine como prefeito. A minha obrigação é sentar todo dia com a população para tomar as principais decisões. Essa nossa visão de gestor, a gente aperfeiçoou e sem dúvida nenhuma tem condições de fazer quando assumir a prefeitura. Eu entendo que Teresina tem um público com perfil mais seletivo, mais criterioso, e afirmações agressivas, grosseiras, não caem no gosto do teresinense. O teresinense não está precisando dessa cena mais deprimente de agressões pessoais, verbais, termina ficando antipatizado pela população. As pessoas sempre me ligam quando saem essas afirmações, dizendo que sentem nojo, a expressão que eles usam é essa. Na minha vida pública, todas as minhas contas foram aprovadas, não respondo a nenhum processo criminal por nada, nunca fui condenado a coisa nenhuma. Tenho minha consciência tranquila”, falou.

  • Foto: Luis Marcos/ ViagoraCandidato a Prefeito Fabio AbreuCandidato a Prefeito Fabio Abreu

Acerca do resultado das recentes pesquisas, onde Fábio Abreu é apontado como 2º colocado na corrida à Prefeitura de Teresina, o candidato declarou que acredita que a legislação para pesquisas deveria ser revista e que trabalha para uma vitória ainda no 1º turno.

“Esse negócio de pesquisa, eu acho que precisa de uma revisão muito criteriosa, acredito que a legislação eleitoral tem que mudar sobre isso. Eu acho muito absurdo algumas coisas com cada instituto de pesquisa, por exemplo, tem sempre um instituto de pesquisa que dá resultado muito favorável ao candidato do prefeito, ele tem ligações diretas com o município, faz a pesquisa da Covid, imbui a pesquisa da Covid com pesquisa política. Quem paga esse instituto? Como é que funciona isso? Então eu acho que tem que haver uma intervenção direta na lei eleitoral com relação às pesquisas, fazer com que o próprio instituto ser do próprio TRE, acho que seria uma solução para ter uma credibilidade maior nas pesquisas. Fazendo uma avaliação, a gente percebe uma pequena variação, mas na maioria delas eu tenho praticamente o mesmo patamar, e o meu objetivo é crescer. Eu faço algumas observações, por exemplo, quando eu paro em um sinal que me veem no carro, a pessoa baixa o vidro e fica batendo no peito. Qual a necessidade dela fazer aquilo se não for votar em mim? Então, consequentemente, é a manifestação que a gente vê no dia-a-dia que às vezes isso não está na pesquisa. Por isso que eu digo que não tenho preocupação nenhuma de estar em 2º, 3º, o objetivo é fazer a nossa campanha do jeito que nós estamos fazendo, e a cada dia eu recebo mais adesões. Nós vamos fazer as nossas pesquisas internas, e não adianta você se enganar com a sua própria pesquisa, então nós vamos nos basear nas nossas pesquisas, que deram um resultado parecido com algumas que já foram divulgadas. Nós estamos trabalhando para ganhar no 1º turno, acho que tudo que você se propuser na vida você tem que querer vencer de imediato, mas quando você não consegue no 1º, você garante o 2º turno”, finalizou.

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