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Bolsonaro diz que cloroquina poderia ter salvo vidas perdidas

O presidente comentou sobre o medicamento durante o evento Brasil Vencendo a Covid-19, realizado na manhã desta segunda-feira (24).
24/08/2020 15h48 - atualizado

Na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro participou do evento Brasil Vencendo a Covid-19, em Brasília, e voltou a dar declarações defendendo a utilização da hidroxicloroquina para tratar pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

“Se ela [cloroquina] não tivesse sido politizada, muito mais vidas poderiam ter sido salvas dessas 115 mil que o país perdeu até o momento”, comentou.

O presidente afirmou que, logo no início da pandemia, decidiu “estudar” o medicamento. “Vi que nos Estados Unidos o FDA aprovou a continuidade dos estudos. Na França, um médico era o cara da cloroquina. Me aprofundei também no que acontecia em outros países do mundo”, declarou.

Bolsonaro comentou ainda que pediu para o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta indicar a droga não só para casos graves da Covid-19, como estava no protocolo inicial divulgado pela pasta, mas que o titular teria se recusado.

“Alguns mudam de médico, eu mudei de ministro. Entrou o [Nelson] Teich e ficou 30 dias, depois, para não ter mais uma mudança, deixei um interino, o Eduardo Pazuello. Os secretários não têm reclamado dele”, disse.

Ele citou ainda o próprio caso e o de dez ministros infectados pelo coronavírus, em que todos teriam se tratado utilizando a hidroxicloroquina. “Nenhum foi hospitalizado. Então, está dando certo”, comentou o presidente.

Sociedade de Infectologia não recomenda a cloroquina

No último dia 17 de julho, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu um parecer alertando que a hidroxicloroquina deveria ser retirada de todas as fases do tratamento do novo coronavírus, devido à ineficácia da droga.

Segundo a SBI, estudos recentes sobre a hidroxicloroquina atestaram que ela não teria eficácia no tratamento de pacientes com Covid-19, não sendo comprovada a redução da mortalidade nos pacientes que receberam doses do medicamento.

“A Sociedade Brasileira de Imunologia conclui que ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na COVID-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina. Além disto, trata-se de um medicamento com efeitos adversos graves que devem ser levados em consideração. Desta forma, a SBI fortemente recomenda que sejam aguardados os resultados dos estudos randomizados multicêntricos em andamento, incluindo o estudo coordenado pela OMS, para obter uma melhor conclusão quanto à real eficácia da hidroxicloroquina e suas associações para o tratamento da Covid-19”, declarou a SBI.

Com informações do R7.

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