Piauí

Cerca de 100 mil pessoas serão atingidas com a reforma, diz Neiva

Representantes de sindicatos, oposição e base aliada ao governo participaram do debate que foi restrito, impedindo a entrada de manifestantes.
11/12/2019 13h58 - atualizado

A audiência pública para debater a reforma estadual da Previdência ocorreu na manhã desta quarta-feira (11), Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Piauí.

Apesar de ter sido uma audiência pública, o acesso foi limitado pelo esquema de segurança da Casa. Só foi permitida a entrada de três representantes de cada sindicato. Militantes e manifestantes permaneceram do lado de fora.

Os primeiros a se pronunciarem contra a reforma estadual da Previdência foram os representantes de sindicatos. Em seguida foi dada a vez para os autores da audiência sendo eles Teresa Britto e Gustavo Neiva que falaram ao microfone.

  • Foto: Nathalia Carvalho/ViagoraAudiência pública nesta quarta (11).Audiência pública nesta quarta (11).

Gustavo Neiva (PSB) fez o uso do microfone para pedir a retirada do regime de urgência da tramitação, ele afirma que o curto prazo para já dar início às votações não possibilita debates detalhados sobre o assunto.

“Temos que destacar que o governo quer pegar os servidores públicos e colocar como culpado do caos que está afetando todo o estado do Piauí, sendo que na realidade os servidores são vítimas desse desgoverno. Cerca de 100 mil pessoas serão atingidas diretamente com essa reforma e em uma semana é impossível debater, estudar essa matéria e melhorar o que chamamos de pacote de maldades”, disse Neiva durante o pronunciamento.

A deputada Teresa Britto (PV) fez duras críticas ao texto que demanda a votação, de acordo com ela há uma “carta branca” que permite ao governo cobrar dos servidores acima da alíquota de 14%.

  • Foto: Nathalia Carvalho/ViagoraTeresa Britto (PV).Teresa Britto (PV).

“Essa proposta de emenda constitucional tem mais de 20 pontos que prejudica os servidores públicos, a partir da cobrança de uma contribuição de quem hoje ganha um salário mínimo. Além disso, há a questão de o governo poder cobrar acima da alíquota de 14%”, disse Teresa Britto.

O diretor da Piauí Prev, Marcos Steiner, também se pronunciou e afirmou que o problema da Previdência não é de hoje e que o governo demorou a despertar para buscar soluções.

“Fico triste quando vejo declarações de que o rombo foi causado por roubo do dinheiro da Previdência, isso mostra o desconhecimento da desorganização que era isso no Brasil, não havia nenhum sistema legal que obrigasse que os recursos fossem só para pagar aposentadorias”, argumenta Steiner.

A audiência encerrou por volta de meio-dia, a base aliada ao governo representada pelo líder Francisco Limma, o relator Franzé Silva, João Madison e Francisco Costa não se manifestou e deixaram a mesa assim que foi anunciado o fim da discussão. A votação está prevista para ocorrer ainda na tarde desta quarta na Alepi.

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