Saúde

Fiocruz diz que pessoas que tiveram covid-19 podem ser reinfectadas

A pesquisa foi coordenada pelo virologista Thiago Moreno, pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz.
23/12/2020 15h56 - atualizado

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) observaram que a primeira exposição ao coronavírus, pode não produzir memória imune em casos brandos, o que significa que uma pessoa que teve o vírus, pode ser reinfectada.

Para comprovar a tese, os pesquisadores fizeram o sequenciamento dos genótipos do novo coronavírus de quatro indivíduos assintomáticos. A pesquisa foi coordenada pelo virologista Thiago Moreno, pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz (CDTS/Fiocruz). 

De acordo com a pesquisa, as pessoas assintomáticas foram acompanhadas semanalmente, a partir do início da pandemia, em março, com testes sorológicos e RT-PCR (exame considerado o padrão ouro no diagnóstico da covid-19) nos indivíduos acompanhados. Todos testaram positivo.

Os pesquisadores confirmaram que, no sequenciamento dos genomas, uma pessoa contraiu o vírus associado a um genoma importado para o país e outra apresentou uma estrutura viral associada ao genoma que já circulava pelo Rio de Janeiro.

O coordenador da pesquisa disse que no final de maio, uma das pessoas acompanhadas, procurou o grupo de pesquisa, dizendo estar com sinais e sintomas mais fortes de covid-19, como febre e perda de paladar e olfato.

Segundo Thiago Moreno, foi feito o RT-PCR, mais uma vez e, os quatro indivíduos testaram positivo. O que ocorreu foi uma reinfecção dentro do ambiente familiar. Contudo, a pessoa que apresentou em março o genótipo associado a casos importados no Brasil, estava infectada por uma outra cepa.

Também foi observado, no sequenciamento, que outro indivíduo, que tinha sido infectado com o genótipo que circulava no Rio, continuava com o mesmo genótipo, mas tinha um acúmulo de mutações que permitiu a interpretação de que era uma reinfecção e não uma persistência de infecção.

O pesquisador avaliou que o trabalho reforçou a noção de que a reinfecção pelo novo coronavírus é possível, e que é algo comum entre vírus respiratórios, o que quer dizer que a primeira exposição ao vírus não é formadora de memória imune.

O resultado da pesquisa Viral Genetic Evidence and Host Immune Response of a Small Cluster of Individuals with Two Episodes of Sars-Cov-2 Infection foi publicado no periódico 'Social Science Research Network' (SSRN).

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