Piauí

IBGE aponta que Piauí teve redução de 58 mil empregos em 2020

Os dados foram contabilizados pelo IBGE através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua.
20/05/2020 09h50 - atualizado

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou informações acerca do mercado de trabalho no país no primeiro trimestre de 2020, obtidas através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua).

A pesquisa constatou que estado do Piauí apresenta a maior taxa de subutilização da força de trabalho do país, cerca de 45%. O percentual é quase duas vezes a média observada para o país, que é de 24,4%, conforme aponta a PNAD Contínua para o primeiro trimestre de 2020. O estado de Santa Catarina apresenta o menor indicador do país, cerca de 10%.

O quantitativo de pessoas subutilizadas na força de trabalho no Piauí é de aproximadamente 767 mil pessoas, onde 195 mil são de pessoas desocupadas (desempregadas), 292 mil pessoas são subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (trabalham menos de 40 horas por semana e desejariam encontrar ocupação para complementar sua disponibilidade de tempo) e 280 mil pessoas estão na força de trabalho potencial (gostariam de ter uma ocupação, mas não puderam  buscá-la no mercado de trabalho ou tendo encontrado uma ocupação não tiveram condições de assumi-la na semana de referência da pesquisa).

Cerca de 14,3% das pessoas fora da força de trabalho no Piauí estão em situação de desalento, o que equivale a 169 mil pessoas. O indicador é o quarto maior do país, atrás apenas do Maranhão (20,2%), da Bahia (15,5%) e de Alagoas (15,5%). A unidade da federação com o menor indicador foi Santa Catarina, com 1,5%.

O desalento ocorre quando a pessoa deixa de buscar trabalho em razão de não ter conseguido uma ocupação que considere adequada, não ter experiência profissional ou qualificação, não haver trabalho na localidade em que residia ou não conseguir trabalho por ser considerado muito jovem ou muito idoso.

Diminuição de empregos formais e informais

No primeiro trimestre de 2020, houve uma redução de 58 mil empregos (formais e informais) no Piauí, o que representou uma queda de 7,8% em relação ao trimestre anterior. Dentre os destaques na redução do emprego, foram registradas: diminuição de cerca de 31 mil postos de trabalho no setor privado da economia (excluindo os trabalhadores domésticos), onde 35% desses postos de trabalho eram com carteira assinada e 65% sem carteira assinada; diminuição de aproximadamente 7 mil ocupações no trabalho doméstico; e uma diminuição de cerca de 20 mil postos de trabalho no setor público, principalmente dentre as pessoas que trabalhavam sem carteira assinada (aproximadamente 13 mil).   

Taxa de desemprego

A taxa de desemprego no Piauí no primeiro trimestre de 2020 foi de 13,7%, pouco acima da registrada no último trimestre de 2019, quando atingiu 13%. No primeiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego do Piauí ficou acima da média observada para o país, que foi de 12,2%. O estado com a menor taxa de desemprego foi Santa Catarina, com 5,7%. O quantitativo de pessoas desempregadas no Piauí foi de cerca de 195 mil pessoas.

No Piauí, o destaque da ocupação por atividade econômica ficou por conta dos seguintes setores:

- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: redução de 19 mil postos de trabalho, cerca de 8,5% em relação ao trimestre anterior. Contudo, comparado ao mesmo trimestre do ano anterior, registrou-se uma queda de 62 mil postos de trabalho, cerca de 23,3%;

- Administração pública, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: redução de 20 mil postos de trabalho, cerca de 7,8% em relação ao trimestre anterior;

- Construção civil: redução de 15 mil postos de trabalho, cerca de 15,1% em relação ao trimestre anterior;

- Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas: um dos poucos setores que apresentou aumento de postos de trabalho, com 22 mil novas ocupações, uma elevação de 8,3% em relação ao trimestre anterior.

Piauí é o 4º estado do país com maior taxa de informalidade

No primeiro trimestre de 2020, a taxa de informalidade do Piauí ficou em 58,8%, a quarta maior do país, atrás apenas do Pará (61,4%), do Maranhão (61,2%) e do Amazonas (58,9%). O estado com a menor taxa de informalidade foi Santa Catarina, com 26,6%. No Brasil, a média de informalidade ficou em 39,9%. 

No Piauí, a informalidade no mercado de trabalho atinge 725 mil pessoas, com a seguinte distribuição: 344 mil pessoas que trabalham por conta própria sem registro no CNPJ;  189 mil pessoas empregadas no setor privado da economia sem carteira de trabalho assinada; 96 mil pessoas que trabalham auxiliando na família; 76 mil pessoas empregadas em atividades domésticas sem carteira assinada e 20 mil pessoas na condição de “empregador” sem registro no CNPJ. 

Taxa de informalidade da população ocupada, por Unidades da Federação: Pará - 61,4%, Maranhão - 61,2%, Amazonas - 58,9%, Piauí - 58,8%, Ceará - 53,8%, Bahia - 52,9%, Amapá - 52,5%, Acre - 51,9%, Sergipe - 51,8%, Paraíba - 51,3%, Pernambuco - 48,4%, Rondônia - 48,3%, Alagoas - 47,2%, Roraima - 45,1%, Rio Grande do Norte - 45,0%, Tocantins - 43,9%, Espírito Santo - 41,5%, Goiás - 40,4%, Brasil - 39,9%, Mato Grosso - 39,8%, Mato Grosso do Sul - 39,1%, Minas Gerais - 38,1%, Rio de Janeiro - 37,3%, Rio Grande do Sul - 33,0%, Paraná - 31,9%, São Paulo - 30,5%, Distrito Federal - 29,8%, Santa Catarina - 26,6%.

Rendimento médio real do trabalho no Piauí caiu 10,5%

No Piauí, o rendimento médio real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 1.401,00 no primeiro trimestre de 2020,  uma redução de cerca de 10,5% quando comparada ao rendimento médio do mesmo trimestre do ano anterior, que foi de R$ 1.565,00. Em relação ao quarto trimestre de 2019, o rendimento apresentou leve aumento, não sendo estatisticamente significativo.

Maioria dos desempregados têm entre 25 a 39 anos

A maior parte das pessoas desempregadas no Piauí, no primeiro trimestre de 2020, tinham entre 25 a 39 anos, representando 35,9% do total, o que equivale a aproximadamente 70 mil pessoas desocupadas. Na sequência, vinha o grupo de 18 a 24 anos, com 30,7% e 60 mil pessoas desocupadas; o grupo de 40 a 59 anos, com 26,6% e 52 mil pessoas desocupadas; o grupo de 14 a 17 anos, com 5,2% e 10 mil pessoas desocupadas; e, finalmente, o grupo de 60 anos ou mais de idade, com 1,6% e cerca de 3 mil pessoas desocupadas.

Taxa de desocupação por grupos etários no Piauí: 14 a 17 anos - 5,2%, 18 a 24 anos - 30,7%, 25 a 39 anos - 35,9%, 40 a 59 anos - 26,6%, 60 anos ou mais - 1,6%.

Teresina apresenta a maior taxa de desemprego da histórica

No primeiro trimestre de 2020 o município de Teresina registrou uma taxa de desemprego de 15,5%, a maior da série histórica medida desde 2012. A menor taxa registrada no município foi de 6,8%, no terceiro trimestre de 2016. Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desemprego apresentou pequeno aumento de 0,5 ponto percentual e em relação ao mesmo trimestre do ano passado apresentou aumento de 2,3 pontos percentuais. Em Teresina a estimativa de pessoas desocupadas é de 70 mil pessoas. A taxa de desemprego em Teresina foi maior que a taxa média observada para o estado do Piauí, que ficou em 13,7%.

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