Piauí

Justiça Federal arquiva inquérito que investigava Tony Trindade

O jornalista foi preso durante a Operação Acesso Negado em agosto de 2020 pela Polícia Federal do Piauí.
29/06/2021 15h48 - atualizado

A Justiça Federal, através do juiz Leonardo Tavares Saraiva, da 1ª Vara, decidiu acolher pedido do Ministério Público Federal e arquivou inquérito policial contra o jornalista Tony Trindade preso durante a "Operação Acesso Negado” em agosto de 2020 pela Polícia Federal. 

Tony Trindade foi acusado de obter informações privilegiadas e repassa-las a interessados, ao tempo em que as Polícias Civil e Federal investigavam desvios de recursos da educação no município de União-PI.

  • Foto: DivulgaçãoJornalista Tony TrindadeJornalista Tony Trindade

Conforme a Justiça Federal, a decisão de inocentar o jornalista e apresentador do programa Alerta Geral da TV Band Piauí, se deu em acolhimento a conclusão da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

O advogado do jornalista, Lucas Villa, esclareceu o ocorrido e afirmou que Tony foi inocentado de qualquer acusação e foi retirado do processo.

"Depois da investigação, tanto a Polícia Federal, quando o Ministério Público Federal, chegaram à conclusão que não existia qualquer indício em torno do Tony, de que ele tivesse cometido qualquer tipo de delito. Por essa razão o Tony não foi indiciado pela polícia e nem denunciado pelo Ministério Público Federal. Tony foi excluído do processo e isentado de qualquer tipo de acusação, porque ficou demonstrado que não havia qualquer prova de cometimento de crime por parte dele", ressaltou.

De acordo com a decisão, o juiz Leonardo Tavares Saraiva, da 1ª Vara Federal Criminal do SJPI, frisou que Tony Trindade era responsável pelo marketing político de gestores da prefeitura de União, e que teria recebido informações sobre a operação por trabalhar na imprensa e apenas se comprometeu a monitorar os fatos como jornalista.

O juiz relata que Tony Trindade agiu como jornalista e que não teve acesso a nenhuma informação confidencial da polícia.  "Não foi possível apontar com a certeza exigida pelo direito penal que Itamir José (Tony Trindade) acessou ou tentou ter acesso a informações de caráter sigiloso que pudesse comprometer a rigidez da investigação", diz trecho da decisão.

Tony Trindade, que permaneceu em silêncio durante todo o período de investigação diz que faz-se justiça, mas os estragos causados não são reversíveis.

“Tenho 36 anos de profissão. Não sou a palmatória do mundo. Cometi erros e acertos nessa caminhada, mas jamais imaginei que tentariam me transformar num marginal. Sei que tenho inimigos silenciosos, poderosos, que não gostam de minha postura como jornalista, mas não quero acreditar que eles estejam por trás de toda essa trama sórdida. O que me resta agora é seguir em frente, de cabeça erguida, certo que sou cidadão e profissional, temente a Deus e que minha família e meus milhares de telespectadores, ouvintes e leitores poderão continuar confiando e acreditando em mim", afirma Tony.

Operação Acesso Negado

No dia 18 de agosto de 2020 a Polícia Federal deflagrou a “Operação Acesso Negado”, com objetivo de cumprir cinco mandados de busca e um mandado de prisão na cidade de Teresina, União e Monsenhor Gil.

A operação tinha como alvo principal o jornalista Tony Trindade. O mandado de prisão foi expedido para investigar suposto vazamento de informações privilegiadas, que iriam atrapalhar investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Delivery.

Tony Trindade foi preso em sua residência em Teresina. Computadores e celulares pessoais do jornalista e familiares, foram levados para investigação policial no ato da sua prisão. Três dias após a prisão, o juiz concedeu liberdade provisória ao jornalista, por não haver elementos que indicasse risco à ordem pública.

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