Política

“Me sinto preparado para governar Teresina”, declara Fábio Novo

Em entrevista ao Viagora, o candidato a prefeito de Teresina pelo PT falou sobre suas propostas para a cidade e fez críticas à gestão de 30 anos do PSDB na capital.
08/10/2020 06h35 - atualizado

O Viagora está realizando uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Teresina. O entrevistado da vez é o deputado estadual Fábio Novo (PT), que falou sobre propostas para a cidade, estratégias de campanha, e fez uma análise sobre a administração tucana de três décadas na capital piauiense.

Para Fábio, o PSDB teve acertos na gestão, mas que por ter permanecido à frente do Palácio da Cidade durante tanto tempo, deveria ter feito mais pela capital.

“É a uma administração que tem alguns acertos, mas pela quantidade de tempo que já está aí poderia ter avançado mais. Não era mais para a gente estar discutindo em Teresina falta de creche. Hoje só 22% das crianças de Teresina tem acessos à creche, então já não era mais para ter esse problema. O Firmino está entrando para a história como o primeiro prefeito da capital que teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas, e rejeitadas justamente por não ter investido o mínimo em Educação. A nossa constituição manda que você tem que investir o mínimo de 25% em Educação, e em 2016 ele só investiu 23%. [...] Ainda na área de Educação, Teresina tem 60 mil analfabetos, Teresina tem 150 mil pessoas que mal sabem ler e escrever”, comentou.

  • Foto: Luis Marcos/ViagoraCandidato a Prefeito Fabio NovoCandidato a Prefeito Fabio Novo

Na opinião do candidato, a gestão tucana pouco fez para sanar os problemas de drenagem e regularização fundiária em Teresina.

“Um outro problema, drenagem. Essa cidade toda vez que chove alaga, qual é o problema que tem? É que faltou planejamento. Se nesses quase 40 anos de gestão do PSDB, se em toda década tivesse feito um pouco, nós não teríamos mais essa situação, e isso atormenta muito a vida do teresinense no período das chuvas. Outro grave problema que a cidade tem é a regularização fundiária. Estamos falando aqui de aproximadamente de 90 mil terrenos de casas apartamentos que não tem o documento da sua casa. Isso é muito ruim pra cidade porque a cidade perde dinheiro com a arrecadação de impostos, por não ter esses logradores regularizados, a cidade perde dinheiro porque se tivesse todas essas casas, apartamentos regularizados as pessoas poderiam lançar mão de empréstimos no banco para reforma. [...] É preciso ter uma política de regularização fundiária constante na cidade, por isso que Teresina é uma cidade de muitas ocupações”, declarou.

O petista disse que Teresina precisa de uma “gestão ousada” para atrair novos investimentos e gerar renda.

“O que tem de ousado na gesta do PSDB? Não tem nada ousado. Então precisava ousar mais, e para ousar mais a cidade precisa se desburocratizar, a cidade precisa ser aliada de quem deseja investir aqui. A cidade vê os empresários, vê os comerciantes, vê os investidores como alguém que é inimigo”, disse.

  • Foto: Luís Marcos/ ViagoraCandidato a prefeito de Teresina/ Fábio NovoCandidato a prefeito de Teresina/ Fábio Novo

Anteriormente, Kleber Montezuma (PSDB) afirmou que os candidatos de partidos aliados à gestão do Governo do Estado seriam “candidatos da cozinha do Palácio de Karnak”. Sobre a fala do ex-secretário de Educação, Fábio Novo afirmou que foi uma declaração infeliz e que ele seria “um candidato tirado do bolso”.

“É uma declaração infeliz. O Kleber Montezuma é um candidato que foi tirado do bolso, a minha candidatura é diferente do Kleber, a minha candidatura foi construída. No PT, eu nunca conquistei nada que não fosse com muito suor, a candidatura dele foi imposta, ele é um preposto. O Firmino coloca um candidato preposto, tão preposto que na foto do cartaz dele, ele precisa da foto do Firmino ao fundo, é papagaio de pirata. Eu não preciso, eu conquistei, eu fui para dentro do meu partido. Põe uma votação dentro do PSDB com os filiados, você acha que o Kleber ia ser eleito? Ia não, ia ser eleito Sílvio Mendes, ia ser eleito outro, ele não. Eu fui para dentro do PT, nós disputamos e eu ganhei dentro do PT, então eu não sou farinha do mesmo saco. Eu tenho uma história. Lá [PSDB] não tem diálogo, o Firmino chega e diz ‘o meu candidato é esse e vocês tem que apoiar’ e empurra goela abaixo, foi isso que aconteceu. Ele [Sílvio Mendes] queria ser o candidato, o Firmino não queria porque tem medo do Sílvio Mendes, porque o Sílvio Mendes tem luz própria, eu tenho luz própria, eu conquistei o meu lugar”, comentou.

Questionado sobre o apoio do ex-presidente Lula na sua campanha, Fábio Novo disse que Lula é uma figura muito influente no cenário político e que o apoio dele agrega muito para a campanha em Teresina.

“Ele é uma figura muito importante, foi o presidente que mais trabalhou por Teresina e pelo Piauí. Aqui em Teresina ele ajudou fazer muitas coisas. O Lula, quando se tornou presidente, a primeira visita oficial dele foi ao Piauí. [...] Dia 21 de janeiro de 2003, o Lula estava na Vila Irmã Dulce com todos os ministros, e de lá ele saiu com o compromisso de ajudar aquela população pobre. Criou o programa Bolsa Família, a Vila Irmã Dulce ganhou 4 mil casas, ganhou calçamento, ganhou água potável. Ele fez também o maior conjunto habitacional da América Latina, o Jacinta Andrade aqui em Teresina. Com ele nós conseguimos terminar o HUT, com ele nós conseguimos concluir a Ponte Estaiada. Naquela grande enchente, ele veio aqui e nós deu o dique do Poti. [...] Por isso a importância do Lula, ele foi uma figura que trabalhou muito pelo Piauí, tanto é que nas pesquisas de opinião, quando você pergunta sobre poder de influência de voto, ele aparece como uma das pessoas que tem mais poder de influência”, declarou.

  • Foto: Luís Marcos/ ViagoraCandidato a prefeito de Teresina/ Fábio NovoCandidato a prefeito de Teresina/ Fábio Novo

Durante a pré-campanha, Fábio chegou a comentar que forças do próprio Governo do Estado tentaram fazê-lo desistir da sua campanha. Sobre isso, o candidato afirmou que de fato aconteceu essa tentativa, mas que isso é normal quando se tem muitos partidos que fazem parte da gestão.

“Aconteceu sim porque tem outros partidos que fazem parte da base do governo, mas eu sempre acreditei que a gente poderia chegar até aqui. Muita gente apostava que eu não chegaria até a convenção, muita gente apostava que eu não conseguiria ter nem o meu próprio partido unificado comigo. A gente unificou o partido, e a gente trouxe mais quatro partidos, nós somos cinco partidos que estão colocados. Isso é uma prova que o candidato que está posto sabe dialogar, Teresina vai precisar de um candidato que saiba dialogar. [...] A minha vida foi dialogar, foi assim quando eu também enfrentei a presidência do PT, eu vinha do PSDB, e eu sofri preceito dentro do meu partido e eu consegui provar para o PT que é possível ser de esquerda e fazer como deveria ser feito. Eu me sinto preparado para governar Teresina pelo exercício que o Fábio Novo faz diariamente de dialogar”, disse.

Acerca do apoio do governador Wellington Dias à sua campanha, o ex-secretário de Cultura afirmou que o gestor tem participado das movimentações e que será um parceiro numa eventual gestão de Fábio no Palácio da Cidade.

“O governador esteve na nossa convenção, têm se manifestado, sempre que pode tem dado dicas. A importância de ter uma candidatura e uma eleição em novembro é que a gente terá também um prefeito afinado que vai poder sentar pra discutir problemas de Teresina, e juntos unir esforços, encaminhar soluções para esses problemas. Eu acredito que Teresina via ganhar muito com Fábio Novo prefeito. Eu não tenho inimigos, eu diálogo com a oposição e diálogo com o governo. Se você observar na nossa gestão como secretário de Cultura, os deputados de oposição também visitaram a Secretaria de Cultura, colocavam recursos lá porque eles sabiam que o secretário Fábio Novo não tinha ‘isso aqui é de oposição, não faz’ pelo contrário, a gente dialogava com todo mundo e encaminhava os leitos independentemente de cor partidária, e será assim na prefeitura”, finalizou.

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