Piauí

OAB-PI denuncia delegado de Luzilândia por abuso de autoridade

O delegado, Fábio Bhering, mandou algemar o advogado Arcelino Galvão Júnior, em outubro de 2017, quando estava inconformado com a prisão de seu cliente.
19/04/2019 07h50 - atualizado

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), oficializou na última terça-feira (16) denúncias contra o delegado de Luzilândia, Fábio Bhering, à Delegacia Geral por suposto abuso de autoridade. O presidente da subseção de Barras, Carlos Augusto Júnior, relatou ao Viagora que Fábio mandou algemar o advogado Arcelino Galvão Júnior, em outubro de 2017, quando estava inconformado com a prisão de seu cliente.

“A algema nem um delinquente, se não oferecer resistência à prisão, não pode ser algemado. Quem dirá um advogado que, tal qual o juiz e o promotor, é essencial à Justiça. Não pode ser algemado assim, pois perde a credibilidade, o respeito”, disse Carlos Augusto.

  • Foto: OAB-PIOAB-PI e Comissão das Prerrogativas oficializam denuncias contra delegado de Luzilândia.OAB-PI e Comissão das Prerrogativas oficializam denuncias contra delegado de Luzilândia.

Para o presidente da subseção de Barras, o ato do delegado foi “arbitrário” e causou constrangimento. Segundo ele, Fábio persegue os advogados, não os trata com urbanidade e faz ameaças a esses profissionais. A OAB-PI pede o afastamento do delegado de suas funções.

Ainda segundo Carlos Augusto, Fábio Bhering pode ser alvo de remoção ou exoneração, já que ainda encontra-se em estágio probatório. Ele diz que a OAB-PI já tentou fazer com o delegado pedisse desculpas, mas isso não foi aceito, tendo como consequência a continuidade do processo. Além da denúncia em relação ao advogado Arcelino, há outros três processos em andamento.

“Não queremos que ele tenha uma punição severa, não queremos prejudicar o trabalho dele, só queremos que as prerrogativas sejam respeitadas para a maior valorização da advocacia. Porque se virar moda algemar advogado, aí os advogados vão ficar desacreditados”, explicou Carlos Augusto.

O presidente da Comissão de Defesa das Prerrogativas dos Advogados, Marcus Vinícius de Queiroz Nogueira, também esteve na Delegacia Geral. “São atitudes que vão além da falta de urbanidade. Elas são incompatíveis com o cargo ocupado pelo delegado. Exigimos um posicionamento da corregedoria da polícia, não apenas com casos antigos, mas em relação às novas denúncias que elencamos em nosso peticionamento”, disse.

Outro lado

O Viagora conversou com o delegado Fábio Bhering que disse não está sabendo do conteúdo na denúncia e que não poderia comentar nada no momento.

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