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Servidores de várias categorias do Judiciário Federal fazem novo apagão hoje

"Sem PCS, eleição não acontece!". Em ritmo de palavra de ordem, os servidores decidiram que irão tomar conta da frente do prédio do TRE e paralisar os serviços
    15/08/2012 07h28

    A assembleia com maior participação de servidores do Judiciário Federal no Piauí já realizada este ano aconteceu na manhã desta terça (14/08), no TRE. Muitos servidores da Justiça Federal se deslocaram do outro lado da cidade para participarem da discussão e votação que deliberou por um novo Apagão do Judiciário, com concentração da categoria no TRE.

    Imagem: ReproduçãoServidores em assembléia.(Imagem:Reprodução)Servidores em assembléia.

    Antes da assembleia, os presentes formaram duas comissões que passaram de sala em sala convocando os servidores da casa a participarem da reunião. Um representante dos professores das universidades federais e um servidor do MPF também participaram da atividade, fazendo transparecer o sentimento único das categorias: descontentamento com a defasagem salarial. A medida dada como certa é a mobilização: “Sem PCS, eleição não acontece!”. Em ritmo de palavra de ordem, os servidores decidiram que irão tomar conta da frente do prédio do TRE e paralisar os serviços a partir das 7h da manhã desta quarta (15).

    O servidor do Ministério Público Federal, Daniel Teixeira Bezerra, deu um tom inovador às discussões da categoria. Ele relatou as dificuldades por que passam os servidores daquele órgão, inclusive com mobilização, mas salientou que 52 pessoas confirmaram participar do Apagão amanhã, unindo forças aos servidores do Judiciário Federal. Ele afirma também ter conversado com representantes da Polícia Federal e da Receita Federal, que também teriam garantido apoio e participação na manifestação. Daniel lembra os servidores das dificuldades financeiras porque passa toda a categoria, “pendurada em empréstimos consignados, sem direito a lazer, sem direito à vida que tinha antes”. Ele acredita ser perseguição política o Governo não conceder reajuste para os servidores, pois o tempo de congelamento salarial coincide com a data em que o Ministério Público denunciou o Mensalão: seis anos.

    O militante e professor da UFPI, Alexis Leite, também compareceu à assembleia dos servidores do Judiciário Federal no Piauí. Depois de o Reitor da UFPI, Luiz Santos Júnior, ter anunciado o corte de ponto dos grevistas, ele reafirma que a categoria não vai rebaixar a proposta de reajuste salarial. O professor comenta sobre a possível suspensão da greve: “Pode até ser que nós voltemos ao serviço por força judicial, mas ano que vem eles podem se preparar porque nós voltaremos com força total. A sociedade precisa entender que esta é uma luta que vai muito além de reposição salarial de servidores, que é uma luta pela valorização do serviço público, um direito de todos os cidadãos”.

    A diretora do Sintrajufe-PI, Madalena Nunes, disse que o Governo está tentando utilizar a Lei que garante maior transparência no serviço público, como medida para colocar a população contra os servidores. Para ela, a transparência deve ser muito maior que apenas divulgar salários de servidor junto ao nome e ao CPF. “Nós queremos uma transparência muito mais profunda, onde eles inclusive divulguem os gastos com funções comissionadas e com os gastos pessoais dos administradores”. Segundo a diretora, o Governo Federal investiu R$16 bilhões nos programas de educação voltados para as faculdades particulares. “Em contrapartida, o que os professores das universidades federais precisam para o reajuste é uma garantia anual de apenas R$4 bilhões, quantia aproximada do que nós precisamos também no Judiciário. Mas a política do Governo é distribuir dinheiro para os empresários e sucatear o serviço público. Por isso, a nossa resposta é greve!”

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