Política

Sílvio Mendes diz que apoio a Ciro em 2022 é “tendência natural”

Em entrevista ao Viagora, o ex-prefeito de Teresina comentou sobre o seu retorno ao PSDB, o apoio que o partido dará a Ciro nas eleições 2022 e avaliou a atual gestão da capital.
29/05/2021 07h00 - atualizado

Nessa quinta-feira, 28 de maio, o ex-prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, formalizou seu retorno ao PSDB, após quase cinco anos no Progressistas.

Nos bastidores, especula-se que esse retorno possa indicar uma possível candidatura do tucano a cargo majoritário nas próximas eleições. No entanto, em entrevista ao Viagora, o ex-gestor afirma que em 2022 deve seguir o PSDB e apoiar a candidatura de Ciro Nogueira ao Governo do Estado.

“Isso é uma discussão interna do PSDB. Naturalmente, [apoiar a candidatura de Ciro] vai ser uma decisão de consenso do partido, mas a tendência natural é de que ocorra esse alinhamento com o Progressistas”, disse.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Ex-prefeito Sílvio MendesEx-prefeito Sílvio Mendes.

Sílvio retorna ao PSDB em um momento onde a sigla ensaia uma reestruturação no Piauí, após perder o comando da Prefeitura de Teresina, onde esteve por mais de três décadas. O ex-gestor declarou que se disponibilizou para ajudar o partido nessa missão.

“Irei ajudar no que o partido precisar e no que eu puder contribuir. No Piauí, o PSDB sempre foi um partido urbano de Teresina, principalmente, infelizmente tem esse pecado de não ter feito a sua interiorização para outros municípios. O principal motivo é nunca ter tido um gestor estadual, em um estado como o Piauí, os municípios têm preferência por quem já ocupou o Governo do Estado”, comentou.

Nova gestão

O ex-prefeito afirmou que, apesar das críticas, torce para que a gestão de Dr. Pessoa (MDB) à frente do Palácio da Cidade seja bem sucedida.

“O PSDB passou um período longo cuidando de Teresina por decisão da população, que sempre aprovou a nossa maneira de fazer gestão, mas o PSDB, e eu em particular, está torcendo pelo sucesso da gestão do Dr. Pessoa, esperamos que ele faça mais e melhor do que nós fizemos. Toda gestão, principalmente de uma cidade como Teresina, é passível de receber elogios e críticas. Elogios pelo que faz bem feito e críticas onde couber. Eu prefiro elogios, mas farei a crítica onde couber. É natural isso. O que se estranha é a forma grosseira, ríspida e injusta quando o gestor público não aceita a crítica”.

“A cidade não pertence ao prefeito ou à sua equipe. O prefeito e a sua equipe foram eleitos em uma campanha eleitoral de compromissos assumidos, e naturalmente a população espera que eles se concretizem, o que às vezes não acontece, por vários motivos, e isso não é uma crítica. Às vezes, por não se conhecer a cidade ou a própria instituição prefeitura, se acha que pode fazer o que quer e nem sempre pode. É preciso fazer o necessário, o que foi prometido, ter um esforço, uma dedicação, do prefeito e da equipe, para que se desdobrem no sentido de melhorar a vida das pessoas, principalmente de quem mais precisa do poder público. Isso é um chavão, mas é o mais importante. É cuidar e proteger quem precisa mais. Essas ações básicas são direito da população e dever do poder público. Deve-se ter também mais humildade quando receber a crítica, justificar porque é obrigação do gestor público a respeito de uma determinada medida, mas não vir com arroubos e ameaças”, opinou.

Questionado sobre as declarações do ex-candidato a prefeito, Kleber Montezuma (PSDB), de que haveria um “gabinete do ódio” instaurado na prefeitura da capital, Sílvio disse não concordar com a opinião do ex-secretário de Educação.

“Não acho que tenha um gabinete do ódio. Acho que lá tem muitas demandas, muitos problemas, alguns que podem ser resolvidos logos e outros que são mais difíceis, que só se resolvem no médio e longo prazo. Acho que às vezes as respostas, principalmente do vice-prefeito, são ácidas, mas é um papel de cidadania, principalmente dos partidos políticos, não ser omisso quanto a certos atos do poder público”, declarou.

Recentemente, o ex-prefeito e o atual vice-prefeito e secretário de Finanças, Robert Rios (PSB), trocaram críticas na imprensa, após a decisão da PMT de cancelar contratos com entidades ligadas à cultura na cidade.

Para Sílvio, a discussão se tratou apenas de críticas à gestão pública e que não levou as falas de Robert para o lado pessoal.

“A discussão foi de gestão pública. Ao querer trazer para uma discussão particular, privada, e até familiar, essa eu não entro. Nunca discuti e não vou fazer isso agora. Acho que é um equívoco e um mal proceder. Conheço o Robert há muitos anos, não tem nenhuma surpresa, e não tenho nenhuma mágoa dele, acho apenas que as palavras foram inadequadas. Acredito até que hoje ele deva refletir melhor e achar que houve um exagero no julgamento, tanto que voltaram atrás, esse é o testemunho maior. Voltaram atrás porque as vozes se levantaram contra alguns comportamentos que não eram para o bem da cidade, ficou muito claro isso. Não foi porque eu falei. Acho que a discussão deve sempre existir e isso traz a pessoa para refletir, que as questões não são um bem particular, é bem público”, informou.

Para o tucano, é necessária cautela para analisar os feitos da gestão até o momento, classificando a administração da capital como “um grande desafio”.

“É preciso ter um pouco de calma. Não sei onde pegaram a tradição de dar 100 dias para se mostrar serviço, acho um prazo muito curto. Estamos no 5º mês da gestão, começaram uns arroubos de denúncias, que até hoje não se tornaram públicas, mas é preciso ter muita prudência. Uma instituição como a Prefeitura de Teresina, uma cidade que tem 850 mil pessoas, com todos os problemas que se possa imaginar, é preciso tomar conhecimento de como funcionam as coisas, mudaram a equipe, mudaram as pessoas, algumas pessoas que não conhecem ou nunca fizeram gestão pública. Primeiro tem que se conhecer a máquina, a estrutura do município, segundo não descuidar da cidade, tem problemas que têm que ser resolvidos hoje, outros amanhã, outros que podem esperar, é um desafio muito grande”, completou.

Sobre uma possível candidatura em 2022 ou 2024, o ex-prefeito afirmou que ainda não tem um posicionamento a respeito, mas que tem uma responsabilidade para com a capital piauiense.

“Eu tenho todos os meus direitos políticos preservados, não tenho processo, como cidadão, eu tenho responsabilidade com a cidade, como gestor, como profissional da saúde, então eu não posso me omitir, é um pecado que eu não vou querer pagar. Então, com muita tolerância, com muita compreensão, com muito cuidado. Não tem nenhum arroubo”, finalizou.

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