Coronavírus no Piauí

Simepi quer que Sesapi afaste médicos que são do grupo de risco

A Secretaria Estadual de Saúde do Piaui (Sesapi), informou que o órgão trabalha observando todas as medidas recomendadas pela OMS.
30/03/2020 16h50 - atualizado

No último sábado (28), o Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi) divulgou uma nota pedindo ao Governo do Estado para que afaste os médicos que compõem o grupo de risco para a Covid-19, doença causada pelo coronavírus, do atendimento de forma direta aos pacientes. 

Na nota, o Sindicato dos Médicos manifestou também repúdio contra o secretário de Saúde do estado, Florentino Neto. Segundo o Simepi, eles são contra as atividades dos médicos que se enquadram no grupo de risco nos trabalhos de combate a doença.

De acordo com a nota divulgada pela entidade, o secretário de Saúde está “de forma temerária pondo em risco a vida dos médicos servidores públicos do estado do Piauí, ao não prover a proteção adequada e eficiente da saúde e segurança desses profissionais e manter em atividade os médicos que integram o grupo de risco da Covid-19”.

Segundo o sindicato, o governo do estado foi alertado sobre os médicos servidores que se encontram no mencionado grupo de risco da doença, mas que “o sr. secretário tem se mantido inerte, desobedecendo às recomendações de segurança preconizadas e expondo tais profissionais a uma verdadeira missão suicida”, diz a nota.

A entidade pede ainda, o fornecimento dos equipamentos de proteção adequados, as EPIs e que os médicos que apresentarem sintomas compatíveis com a doença, independente da gravidade do caso, devem ficar afastados de suas funções para prevenir uma possível contaminação.

[NOTA DE REPÚDIO À SESAPI] O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí – SIMEPI, expressa publicamente seu mais veemente REPÚDIO à atitude do Sr. Secretário de Saúde do Estado do Piauí, Florentino Alves Veras Neto, que, de forma temerária, está pondo em risco a vida dos médicos servidores públicos do estado do Piauí, ao não prover a proteção adequada e eficiente da saúde e segurança desses profissionais e manter em atividade os médicos que integram o grupo de risco da COVID-19. Ressaltamos que tais omissões são inaceitáveis e serão rechaçadas de todas as formas possíveis. A Organização Mundial de Saúde - OMS não poupou esforços para esclarecer a gravidade da pandemia pela doença COVID-19. Nesse sentido, recomenda a imprescindível disponibilização, aos profissionais da saúde, de condições e recursos sanitários indispensáveis na prevenção da COVID-19, uma vez que a adoção de tais providências se impõe não apenas para resguardar a saúde e segurança dos profissionais médicos, mas por ser medida de saúde pública coletiva para prevenção e contenção na disseminação e contágio da COVID-19. Ainda, a Occupational Safety and Health – OSHA, considerando as funções desempenhadas pelos trabalhadores, classificou, como RISCO MUITO ALTO de exposição, aqueles profissionais com alto potencial de contato com casos confirmados ou suspeitos de COVID-19 durante procedimentos médicos, laboratoriais ou post-mortem. O Ministério da Saúde do Brasil, referenciando-se na OMS, reconheceu que os idosos acima de 60 anos, os portadores de doenças crônicas e as mulheres grávidas fazem parte do grupo de risco da COVID-19. [Continua nos comentários]

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Outro lado

A Secretaria Estadual de Saúde do Piauí, (Sesapi), emitiu um esclarecimento sobre o assunto. Confira abaixo a nota na íntegra:

01.Neste período de pandemia da Covid-19, seguindo as determinações do Sr. Governador do Estado, Wellington Dias, a SESAPI trabalha observando todas as medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e confia na equipe de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, atendentes de enfermagem, maqueiros, motoristas, e todo pessoal da área de saúde que atua no enfrentamento dessa pandemia, no atendimento direto aos pacientes. São profissionais dedicados e todos trabalham com equipamentos de proteção individual (EPIs);

02.todos os profissionais são importantes e indispensáveis no momento. Essa compreensão tem levado a dezenas de profissionais da saúde, que se encontram à disposição de outros órgãos, e até mesmo aposentados, a se apresentarem voluntariamente em seus antigos postos de trabalho nas unidades de saúde, para contribuírem com suas experiências no enfrentamento dessa grave crise de saúde pública mundial. Importante esclarecer que, aqueles que estão em grupo de risco, com 60 anos ou mais, não serão colocados em serviços que atuem diretamente no tratamento de pacientes com suspeitas ou com o diagnóstico da Covid-19. Embora a prioridade seja o combate à COVID-19, o serviço de saúde continuará atendendo pessoas vitimadas por outras doenças;

03. o Presidente do Sindicato dos Médicos, com quem temos mantido o diálogo institucional aberto, deve apontar fatos que apontem a existência de profissionais trabalhando sem a proteção apropriada, conforme prescrevem os protocolos vigentes, para que seja feita a devida apuração das responsabilidades, e tomadas as providências que a lei determina. Afirmações genéricas não resolverão eventuais problemas que possam existir e, mais grave, espalham insegurança no meio da população;

04.Prestando esses esclarecimentos, continuaremos abertos ao diálogo, buscando superar dificuldades, com o objetivo de aprimorar os serviços de atendimento à nossa população.

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