Ministério Público expede recomendação ao Hospital Areolino de Abreu após morte de paciente
Conforme o Ministério Público do Piauí (MPPI), o conselho foi assinado após a morte de um paciente internado no hospital, em decorrência de violência entre pacientes na enfermaria.A promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão, titular da 12ª Promotoria de Justiça, expediu recomendação administrativa ao secretário de Saúde do Estado do Piauí, Dirceu Hamilton Cordeiro Campelo, à diretora do Hospital Areolino de Abreu, Maria Aparecida de Oliveira Moura Santiago, e ao diretor técnico da unidade, Ediwyrton de Freitas Morais, orientando a elaboração e implementação do Protocolo Operacional Padrão (POP) para gerenciamento de risco em saúde e de crise psiquiátrica. A orientação para adotar esta medida ocorre após a morte de um homem internado no contexto de violência entre pacientes na enfermaria.
Conforme o Ministério Público do Piauí, o caso registrado na instituição requer investigação rigorosa para avaliar as circunstâncias, além de rotinas institucionais voltadas à prevenção de riscos, manejo de crises e segurança assistencial.
As irregularidades estruturais e de segurança constatadas pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-PI) durante vistoria na unidade também motivaram a emissão dessa recomendação. A fiscalização ainda revelou problemas decorrentes da falta de supervisão profissional no turno noturno e precariedade da assistência, que pode gerar risco à vida e à integridade de pacientes, bem como dos profissionais de saúde.
Orientações sobre o protocolo recomendado
Diante disso, o protocolo a ser adotado pelo hospital deverá incluir os seguintes pontos: classificação de risco psiquiátrico na admissão do paciente, incluindo avaliação de risco de suicídio, heteroagressividade, autoagressão e evasão; elaboração de Plano Terapêutico Individualizado (PTI) com registro evolutivo diário; definição de critérios objetivos para contenção física ou química, com caráter excepcional, supervisão médica e registro detalhado em prontuário; monitoramento contínuo dos pacientes; criação de sistema de notificação e análise de eventos adversos, como tentativas de suicídio, agressões entre pacientes, lesões decorrentes de contenção e falhas estruturais.
Com relação à gestão da crise institucional, a unidade deverá implementar um protocolo com a criação de comitê específico e plano de contingência para situações como surtos psicóticos coletivos, tumultos internos, superlotação, ausência de assistência médica, interdições sanitárias e óbito de paciente em circunstâncias críticas.
Ainda segundo o MPPI, será necessário realizar adequações estruturais e de segurança, incluindo avaliação periódica de áreas de risco, eliminação de objetos potencialmente lesivos, dimensionamento adequado da equipe multiprofissional e capacitação contínua dos profissionais em manejo de crise psiquiátrica, técnicas de desescalonamento verbal e prevenção do suicídio.
O Estado e o Hospital Areolino de Abreu devem informar se irão acolher as medidas recomendadas e quais providências serão tomadas durante audiência extrajudicial, que será realizada no dia 16 de março de 2026, às 9h, na sede Leste do MPPI, em Teresina.
A promotora alertou que o descumprimento da recomendação pode representar ciência da irregularidade e será utilizada como elemento probatório para eventual responsabilização em ações cíveis ou criminais.