Juiz manda prefeito de Regeneração e construtora regularizarem estrutura do loteamento Village Jardins I
A Construtora Maukon informou que já foi notificada sobre a decisão e que está providenciando as medidas determinadas.O juiz José Cláudio Diógenes Porto, da Vara Única da Comarca de Regeneração, deferiu pedido de tutela de urgência requerido pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) e determinou que o município de Regeneração, administrado pelo prefeito Seu Dua (PSD), o loteador Maukon Robert Araújo Sousa e a Construtora Maukon regularizem o loteamento Village Jardins I. A decisão foi expedida no dia 08 de abril deste ano visando garantir a implantação da infraestrutura urbana básica do local.
Conforme o magistrado, o loteador e a empresa M. R. A. Sousa Eireli, de nome fantasia Construtora Maukon, devem, solidariamente, apresentar plano técnico detalhado e cronograma físico-financeiro para a implantação integral da infraestrutura urbana básica do loteamento, com foco na rede regular de energia elétrica domiciliar e na iluminação pública, seguindo as normas da concessionária Equatorial Piauí e com a legislação municipal aplicável. A determinação terá que ser cumprida no prazo improrrogável de 30 dias.
Além disso, o município de Regeneração, no mesmo prazo de 30 dias, deve encaminhar parecer técnico sobre o plano apresentado pelo loteador, sendo possível, se necessário, complementá-lo ou apresentar plano alternativo. Também é papel do ente municipal, a partir da aprovação do cronograma, fiscalizar o cumprimento das obras, comunicando eventuais descumprimentos a Justiça.
De acordo com a decisão, enquanto a implantação da infraestrutura urbana básica não for concluída, está proibida a comercialização de novos lotes, bem como a autorização de novas construções ou de novas ocupações no loteamento.
Em caso de descumprimento, uma multa diária de R$ 10.000,00 deverá ser aplicada, sem prejuízo da responsabilização criminal e por ato de improbidade administrativa.
O juiz ainda fixou multa cominatória para o caso de descumprimento injustificados das obrigações, sendo nos seguintes moldes: multa diária de R$ 10.000,00, limitada a 30 dias-multa para o município, multa diária de R$ 5.000,00 limitada a 30 dias-multa para o prefeito e o loteado Maukon Robert Araújo Sousa.
A concessionária Equatorial Piauí Distribuidora de Energia S.A. deverá ser intimada para que, no prazo de 15 dias, manifeste-se sobre os aspectos técnicos das obras necessárias à regularização da rede elétrica e da iluminação pública, prestando as informações que julgar pertinentes e colaborando com a fiscalização do cumprimento da decisão.
Ação civil
O Ministério Público do Piauí recebeu um abaixo-assinado de moradores do referido loteamento apontando que o local não possui rede regular de energia elétrica domiciliar, tampouco iluminação pública nas vias internas do loteamento. Em razão disso, há várias ligações elétricas clandestinas e extremamente precárias, que resultam em frequentes danos a aparelhos eletroeletrônicos.
Além do prejuízo financeiro, a falta de iluminação nas vias tem gerado insegurança diante dos registros de furtos e a sensação permanece de risco.
Para apurar as irregularidades, uma notícia de fato foi instaurada pela 1ª Promotoria de Justiça de Regeneração e ofícios foram encaminhados ao município, ao loteador Maukon Robert e ao Cartório de Registro de Imóveis competente. As diligências tiveram o objetivo de apurar a existência de registro imobiliário e as providências adotadas pela administração municipal para a devida fiscalização.
Em resposta, a Serventia Extrajudicial do Ofício Único de Regeneração enviou uma certidão informando que o imóvel objeto do loteamento está em nome da pessoa jurídica M. R. A. Sousa Eireli – ME, vinculada diretamente ao requerido Maukon Robert Araújo Sousa, responsável legal pelo parcelamento do solo.
Enquanto o loteador explicou que o projeto original de instalação de energia elétrica teria sido aprovado pela então concessionária Eletrobras, demandando 03 transformadores de 75 KVA, os quais foram adquiridos. No entanto, quando a Equatorial Piauí assumiu os serviços, o planejamento foi reprovado e novas especificações técnicas foram exigidas, com a necessidade de 07 (sete) transformadores de 112,5 KVA, fato que teria elevado os custos do empreendimento.
Ainda conforme o responsável pelo lote, a execução do novo projeto foi dividida em duas etapas, estando a primeira supostamente concluída, com a instalação de três transformadores. Já a segunda segue pendente, sob justificativa de que as residências não contempladas estariam sendo “assistidas” de energia elétrica pela concessionária.
O município, que aprovou formalmente o empreendimento através do Decreto Municipal nº 40/2016, não apresentou qualquer laudo técnico, cronograma de regularização e providências para sanar as irregularidades constatadas.
Outro lado
O Viagora procurou o prefeito de Regeneração para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da matéria o gestor não atendeu as ligações telefônicas.
A Construtora Maukon também foi procurada e o empresário Maukon informou à reportagem que já foi notificado sobre a decisão e está providenciando as medidas determinadas. Confira abaixo o esclarecimento na íntegra:
“Já fomos notificados sobre a decisão e, inclusive, estamos providenciando a regularização. Na realidade, quando pedimos a execução da obra, a Equatorial tinha um serviço de regulador de tensão, que será concluído em maio de 2026, e a gente não podia fazer nada antes dela autorizar a gente.
Todo o material já foi comprado, os transformadores já estão todos no local. São duas etapas da obra, sendo que na primeira foi roubado um transformador, então a construtora não quis correr o mesmo risco de colocar o equipamento, a Equatorial não energizar e ficar lá à mercê de furtos. Por isso, esperamos a Equatorial se manifestar com a autorização.
O que nós estamos fazendo está dentro da legalidade. Infelizmente, não conseguimos avançar nesta segunda etapa por conta desta questão com o regulador de tensão.
A nossa construtora já tem alguns serviços prestados em Regeneração e esse loteamento é o único do município que é regular, foi aprovado pela prefeitura e registrado em cartório.
A questão da Equatorial não ter concluído o serviço para que a gente pudesse de fato fazer a execução foi um dos agravantes para que gerasse toda essa manifestação. Mas já está tudo comprado, não tem nada pendente. A única coisa que está pendente é a autorização da Equatorial informando que podemos executar o serviço e que eles irão ligar a rede. Quando me notificaram, eu expliquei tudo isso para o Ministério Público”, informou o empresário.