Jogador Fred volta atenções para Gum: "Melhor zagueiro do Brasileiro"
Religioso e discreto, camisa 3 do Flu diz que vive melhor fase da carreira e devolve "provocações" do artilheiro sobre fama de freguês no videogame
Imagem: Bruno Haddad/Flick FluminenseClique para ampliar
Gum: seriedade e serenidade a serviço do Flu
Brincadeiras, provocações, apelidos... Tudo isso é muito comum no Fluminense. Sempre que questionados, os jogadores exaltam o clima de união e descontração que marca o grupo tricolor. Mas um jogador em especial, apesar de ser dos mais queridos, dificilmente é visto puxando as piadas ou comandando as zoações. Funk? Pagode? Nada disso. Na caixa de som, só músicas de louvor. Mas se fora de campo ele é discreto, dentro, se transforma em um verdadeiro guerreiro, como é chamado pela torcida. E apesar de ter sofrido uma grave lesão no ano passado (quase seis meses parado por romper tendão da coxa direita) e ter visto seu nome entre as últimas opções, não desistiu e, no seu melhor estilo, retomou a vaga de titular, tornando-se o principal nome da zaga menos vazada do Brasileiro. Este é Welington Pereira Rodrigues, o Gum.
Gum: seriedade e serenidade a serviço do Flu O momento atual é tão especial que os elogios não vêm apenas da crítica ou dos torcedores, que durante um tempo pegavam no seu pé. Internamente, Gum também conquistou a confiança de todos, começando pelo capitão do time e artilheiro do Campeonato Brasileiro, Fred.
- Até que enfim alguém viu a campanha do Gum. Há um tempo eu disse que a gente tinha de valorizar o trabalho do Diego Cavalieri, que vem sendo um dos mais decisivos e importantes do time. Agora temos de fazer o mesmo com o Gum que, para mim, é sem dúvidas o melhor zagueiro do Brasileiro. Ele é um cara simples, centrado, muito religioso, que trabalha para caramba e deu a volta por cima após uma lesão séria. É o nosso xerife - afirmou.
Um dos mais brincalhões do elenco, Fred reconhece que não é fácil provocar o sempre tão centrado Gum. Mas ele sabe bem o que tira o companheiro do sério. Segundo o atacante, ele é ruim no videogame e costuma perder todas. Ao saber da alfinetada do companheiro, Gum relaxou, abriu o sorriso e devolveu na mesma moeda, para depois admitir que realmente é um cara mais fechado.
- Ele me elogiou, não é? Foi bem nas palavras, mas foi mal com essa história do videogame. Eu perco pouco. Aliás, para ele então perco bem menos, já que a gente se enfrenta pouco (risos). Sou um pouco mais na minha, mas também sei brincar. Tudo tem a hora certa, e a amizade grande do grupo ajuda nessas horas - explicou.
Depois da brincadeira, Gum escutou os elogios de Fred e fez questão de retribuir.
- Ouvir isso de um cara com nível de seleção brasileira é muito gratificante e nos faz querer continuar o bom trabalho. Em 2010, terminamos o ano juntos com o título e com a defesa menos vazada. O objetivo agora é o mesmo e quem sabe o Fred não termina como artilheiro também - indagou Gum, que se não fosse jogador gostaria de ser médico ou advogado.
Imagem: Dhavid Normando / Photocamera
Gum em ação no treino do Fluminense desta quarta-feira
O semblante sereno continua ao falar desta que considera ser a melhor fase em sua carreira. Religioso, o zagueiro já chegou até a pedir para a torcida parar de cantar uma música em sua homenagem - a letra dizia "Gum, guerreiro, dá porrada no Escudero", em referência à briga generalizada em jogo da Libertadores de 2011, contra o Argentinos Jrs., em que o defensor tricolor tentou acertar um soco no rival Escudero. Gum veio publicamente pedir para os torcedores abandonarem o grito por não condizer com sua imagem e filosofia de vida.
Gum em ação no treino do Fluminense desta quarta-feiraSempre que pode, ele convida os amigos mais próximos do elenco para frequentar os cultos da igreja da qual faz parte. Recentemente, foi com alguns jogadores como os companheiros de zaga Anderson e Leandro Euzébio a um show de música gospel. Tudo isso, aliado ao trabalho e ao acúmulo de experiência nos últimos anos, fez com que ele reconhecesse o momento atual como o seu auge após a lesão mais grave que teve.
- Cheguei a ser considerado a última opção entre os zagueiros do Fluminense quando voltei da lesão. Foi um período difícil, mas sempre tive fé em Deus e no meu trabalho e hoje posso dizer sim que vivo a melhor fase da carreira. A experiência que adquiri nos últimos anos me ajudou e agora eu fico feliz de colaborar com esse bom momento do clube. Coisas melhores ainda estão por vir - finalizou.
Gum e o Fluminense voltam a entrar em campo no próximo sábado, às 18h30m (de Brasília), contra o Botafogo, no Engenhão. O time é o líder do Brasileiro com 59 pontos conquistados, seis a mais que o Atlético-MG.
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