Treinador Toninho Cecílio muda estilo durão no Paraná e cobra ousadia para 2013
Com fama de durão, o treinador reverteu a desconfiança com a torcida para um perfil de gerente e paciente com os problemas do grupo.
O treinador Toninho Cecílio chegou com uma imagem de ser nervoso, mas termina o ano com uma característica oposta. Paciente, ele foi um dos principais intermediadores entre jogadores e diretoria, durante a crise com o atraso nos pagamentos dos salários. Em campo, conseguiu dar ânimo e força para o elenco interromper a queda livre na Série B e terminar com o time na 10ª posição e quase impedir o acesso do rival Atlético-PR com o empate na última rodada.
Com contrato até o final do Campeonato Paranaense, Toninho aproveita o término da competição para ficar com a família no interior paulista. Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, por telefone, o comandante paranista fala sobre a fama de ser irritado, os desafios ao assumir o Tricolor e como ajustar um time com tantos problemas internos.
Toninho conta que a experiência administrativa no futebol ajudou a entender o que acontece nos bastidores paranista. Junto com a diretoria, ele assumiu um papel importante, que passa dos limites do gramado. O treinador atua como um conselheiro, olheiro e auxiliar do gerente Alex Brasil. Em todas as reuniões sobre planejamento, ele está presente de alguma forma. Mesmo sem estar em Curitiba, conversa com os dirigentes, em média, quatro vezes por dia.
O currículo de Toninho Cecílio contribui para isso. Além de treinar Avaí, São Caetano, Vitória e Guaratinguetá, ele foi gerente de futebol no Palmeiras e Fortaleza. Com 45 anos, o técnico é formado em Publicidade e Propaganda e concluiu o Curso Internacional de Treinadores de Futebol, em 2001.
Essa bagagem contribuiu para que fosse o nome certo para a situação em que o Paraná passava, após o pedido de demissão de Ricardinho. A equipe paranaense estava ameaçada pelo rebaixamento para a Série C, além de não ter dinheiro para contratar reforços. O time precisava de um técnico que não fosse caro, soubesse lidar com o grupo e auxiliasse nos assuntos internos.
- Para um treinador passar por isso, tem que se preparar e ter uma bagagem para conseguir suportar a situação. Está dentro de um crescimento do técnico de futebol, enfrentar dificuldades em um clube como o Paraná, que não merece tudo isso. Eu entrei e cheguei no clube com esse espirito de colaboração. Estou muito entusiasmado desde que me apresentaram a proposta - confessa.
Para Toninho, o verdadeiro treinador de futebol não é aquele que se incomoda só com os detalhes para o jogo. O discurso do comandante paranista é de envolvimento nos bastidores, para saber como está a real situação e até que ponto pode avançar.
- É preciso se envolver com o clube, pois só assim o treinador passa a viver a real situação. Conviver com o desafio é importante para conseguir a superação. O Paraná é um clube grande, por isso aceitei o convite. Eu sei que a diretoria assumiu neste ano com dificuldades, mas fez um bom trabalho, que conseguiu contornar muita coisa ruim. Eles já passaram por uma temporada de transição e agora sabem como fazer para acertar no ano que vem.
Quando Toninho Cecílio foi apresentado no Paraná, no dia 16 de setembro, a primeira imagem que foi passada foi de uma discussão séria que teve no Vitória. Em 2010, o técnico comandou o clube baiano, que passava por uma fase ruim. A marca que deixou lá foi uma briga com o lateral Márcio Egídio, acusando o atleta de falta de comprometimento.
O treinador não nega que o estilo seja próximo ao que foi apresentado naquele momento. Toninho admite que é nervoso quando precisa, mas sabe lidar com o momento do clube e elenco. Ele lembra que não sabia da gravação, caso contrário evitaria a exposição desnecessária do jogador.
- No Vitória foi um episódio isolado. Aquilo é uma cobrança. Eu escalei o Egídio, ele não rendeu e precisei conversar mais de perto.. Eu sou mais perto daquilo ali, mas nunca ia expor um atleta publicamente. Não era a minha intenção, pois não sabia que estava sendo filmado. Mas precisou de um choque de gestão. Eles precisavam de uma reação. Estavam na Série A e com um elenco de 40 jogadores. Eu precisava ter uma postura mais firme -justifica.
No Paraná ele conta que a avaliação foi diferente. Segundo o treinador, cada clube é uma situação, que precisa ser minuciosamente analisada antes de começar a agir. Toninho conta que chegou, estudou como era o momento paranista e concluiu que não podia ser tão radical.
- Cada clube é cada caso e precisa uma abordagem diferente. Quando chega tem que fazer uma leitura da equipe do momento que vive e fazer um diagnóstico para ver a postura. Eu fiz isso no Paraná. Na primeira semana eu fiz uma estratégia. Eu considerei todos os problemas, adotei uma linha que fosse a mais correta. Havia cobranças, mas foi um período que precisava de auxílio e não um choque de gestão.
Como lidar com a falta de dinheiro no Paraná Clube?
A principal missão da intermediação do técnico Toninho Cecílio para montar o novo elenco paranista será administrar a curta folha salarial do time, uma das menores da Série B do Campeonato Brasileiro.
O técnico diz que a responsabilidade será o primeiro passo, mas consegue enxergar um futuro com apostas do futebol brasileiro, sem perder a qualidade. Ele acredita que a diretoria já teve uma ideia de como foi a temporada, portanto vai se planejar para não faltar dinheiro no final do ano.
Toninho se declara como um treinador flexível, que vai entender cada argumento e trabalhar todo o dia para conseguir achar o balanço ideal da equipe.
- O ano que vem inteiro vai passar muito pelo mês de dezembro. Vai pelo conhecimento, quero dar uma colaboração, pois já fiz antes. Outra coisa. O Paraná não vai ter em mim um treinador inflexível. Eu sei como é a realidade tanto do clube, como do futebol e do mercado. A gente já fez uma primeira reunião que deu uma perspectiva importante do que podemos fazer.
A intenção é montar um time leve, sem tantos nomes conhecidos, mas que surpreenda durante a temporada. O primeiro objetivo é segurar a maior parte do elenco que terminou a temporada, principalmente os titulares que ganharam a confiança do treinador.
- Queremos montar uma equipe em que um encaixe bem no outro. Queremos uma equipe leve, aguda e mais equilibrada entre os setores. A partir disso vamos elencar jogadores. Paciência, conhecimento, criatividade para montar um time competitivo.
Promessa de títulos para 2013
O contrato de Toninho é só para o Campeonato Paranaense, mas o planejamento do técnico é para durar até o final da temporada. Ele entende que, quando foi contratado, ainda não tinha a confiança da diretoria, por isso aceitou o contrato curto. Mas o treinador está contando que vai ficar até a temporada acabar.
Por isso, quer metas ousadas e bem diferente das que foram propostas no começo de 2012 - que previa a permanência na Série B do Brasileiro, além de subir para a elite do futebol paranaense.
Por mais que seja complicado pensar em títulos ou acesso para a Série A nacional, Toninho quer impor altos projetos para dar uma responsabilidade maior ao grupo.
- Tem que brigar por títulos e se comprometer publicamente, pois isso faz você acordar diferente. Isso não é desrespeito ao adversário. Teremos um time humilde, mas queremos chegar na decisão do Campeonato Paranense. Deve ser a linha. Se vai acontecer ou não é outro problema, mas preciso de comprometimento público. Isso alavanca as intenções, o trabalho do treinador.
Outra necessidade que Toninho enxerga como fundamental é o comprometimento com a torcida, que deixou de acompanhar os jogos na Vila Capanema com frequência. O técnico lembra que o primeiro passo foi dado no empate com o Atlético-PR, quando os atletas saíram aplaudidos pelos 233 paranistas que foram até o Ecoestádio.
- A confiança do torcedor precisa ter. Terminou conquistando o torcedor, os jogadores saíram aplaudidos e criou uma sinergia importante para o início da temporada. Precisamos começar bem para conquistar a torcida. Vamos trabalhar duro para isso - finaliza.
Com contrato até o final do Campeonato Paranaense, Toninho aproveita o término da competição para ficar com a família no interior paulista. Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, por telefone, o comandante paranista fala sobre a fama de ser irritado, os desafios ao assumir o Tricolor e como ajustar um time com tantos problemas internos.
Toninho conta que a experiência administrativa no futebol ajudou a entender o que acontece nos bastidores paranista. Junto com a diretoria, ele assumiu um papel importante, que passa dos limites do gramado. O treinador atua como um conselheiro, olheiro e auxiliar do gerente Alex Brasil. Em todas as reuniões sobre planejamento, ele está presente de alguma forma. Mesmo sem estar em Curitiba, conversa com os dirigentes, em média, quatro vezes por dia.
O currículo de Toninho Cecílio contribui para isso. Além de treinar Avaí, São Caetano, Vitória e Guaratinguetá, ele foi gerente de futebol no Palmeiras e Fortaleza. Com 45 anos, o técnico é formado em Publicidade e Propaganda e concluiu o Curso Internacional de Treinadores de Futebol, em 2001.
Essa bagagem contribuiu para que fosse o nome certo para a situação em que o Paraná passava, após o pedido de demissão de Ricardinho. A equipe paranaense estava ameaçada pelo rebaixamento para a Série C, além de não ter dinheiro para contratar reforços. O time precisava de um técnico que não fosse caro, soubesse lidar com o grupo e auxiliasse nos assuntos internos.
- Para um treinador passar por isso, tem que se preparar e ter uma bagagem para conseguir suportar a situação. Está dentro de um crescimento do técnico de futebol, enfrentar dificuldades em um clube como o Paraná, que não merece tudo isso. Eu entrei e cheguei no clube com esse espirito de colaboração. Estou muito entusiasmado desde que me apresentaram a proposta - confessa.
Para Toninho, o verdadeiro treinador de futebol não é aquele que se incomoda só com os detalhes para o jogo. O discurso do comandante paranista é de envolvimento nos bastidores, para saber como está a real situação e até que ponto pode avançar.
- É preciso se envolver com o clube, pois só assim o treinador passa a viver a real situação. Conviver com o desafio é importante para conseguir a superação. O Paraná é um clube grande, por isso aceitei o convite. Eu sei que a diretoria assumiu neste ano com dificuldades, mas fez um bom trabalho, que conseguiu contornar muita coisa ruim. Eles já passaram por uma temporada de transição e agora sabem como fazer para acertar no ano que vem.
Quando Toninho Cecílio foi apresentado no Paraná, no dia 16 de setembro, a primeira imagem que foi passada foi de uma discussão séria que teve no Vitória. Em 2010, o técnico comandou o clube baiano, que passava por uma fase ruim. A marca que deixou lá foi uma briga com o lateral Márcio Egídio, acusando o atleta de falta de comprometimento.
O treinador não nega que o estilo seja próximo ao que foi apresentado naquele momento. Toninho admite que é nervoso quando precisa, mas sabe lidar com o momento do clube e elenco. Ele lembra que não sabia da gravação, caso contrário evitaria a exposição desnecessária do jogador.
- No Vitória foi um episódio isolado. Aquilo é uma cobrança. Eu escalei o Egídio, ele não rendeu e precisei conversar mais de perto.. Eu sou mais perto daquilo ali, mas nunca ia expor um atleta publicamente. Não era a minha intenção, pois não sabia que estava sendo filmado. Mas precisou de um choque de gestão. Eles precisavam de uma reação. Estavam na Série A e com um elenco de 40 jogadores. Eu precisava ter uma postura mais firme -justifica.
No Paraná ele conta que a avaliação foi diferente. Segundo o treinador, cada clube é uma situação, que precisa ser minuciosamente analisada antes de começar a agir. Toninho conta que chegou, estudou como era o momento paranista e concluiu que não podia ser tão radical.
- Cada clube é cada caso e precisa uma abordagem diferente. Quando chega tem que fazer uma leitura da equipe do momento que vive e fazer um diagnóstico para ver a postura. Eu fiz isso no Paraná. Na primeira semana eu fiz uma estratégia. Eu considerei todos os problemas, adotei uma linha que fosse a mais correta. Havia cobranças, mas foi um período que precisava de auxílio e não um choque de gestão.
Como lidar com a falta de dinheiro no Paraná Clube?
A principal missão da intermediação do técnico Toninho Cecílio para montar o novo elenco paranista será administrar a curta folha salarial do time, uma das menores da Série B do Campeonato Brasileiro.
O técnico diz que a responsabilidade será o primeiro passo, mas consegue enxergar um futuro com apostas do futebol brasileiro, sem perder a qualidade. Ele acredita que a diretoria já teve uma ideia de como foi a temporada, portanto vai se planejar para não faltar dinheiro no final do ano.
Toninho se declara como um treinador flexível, que vai entender cada argumento e trabalhar todo o dia para conseguir achar o balanço ideal da equipe.
- O ano que vem inteiro vai passar muito pelo mês de dezembro. Vai pelo conhecimento, quero dar uma colaboração, pois já fiz antes. Outra coisa. O Paraná não vai ter em mim um treinador inflexível. Eu sei como é a realidade tanto do clube, como do futebol e do mercado. A gente já fez uma primeira reunião que deu uma perspectiva importante do que podemos fazer.
A intenção é montar um time leve, sem tantos nomes conhecidos, mas que surpreenda durante a temporada. O primeiro objetivo é segurar a maior parte do elenco que terminou a temporada, principalmente os titulares que ganharam a confiança do treinador.
- Queremos montar uma equipe em que um encaixe bem no outro. Queremos uma equipe leve, aguda e mais equilibrada entre os setores. A partir disso vamos elencar jogadores. Paciência, conhecimento, criatividade para montar um time competitivo.
Promessa de títulos para 2013
O contrato de Toninho é só para o Campeonato Paranaense, mas o planejamento do técnico é para durar até o final da temporada. Ele entende que, quando foi contratado, ainda não tinha a confiança da diretoria, por isso aceitou o contrato curto. Mas o treinador está contando que vai ficar até a temporada acabar.
Por isso, quer metas ousadas e bem diferente das que foram propostas no começo de 2012 - que previa a permanência na Série B do Brasileiro, além de subir para a elite do futebol paranaense.
Por mais que seja complicado pensar em títulos ou acesso para a Série A nacional, Toninho quer impor altos projetos para dar uma responsabilidade maior ao grupo.
- Tem que brigar por títulos e se comprometer publicamente, pois isso faz você acordar diferente. Isso não é desrespeito ao adversário. Teremos um time humilde, mas queremos chegar na decisão do Campeonato Paranense. Deve ser a linha. Se vai acontecer ou não é outro problema, mas preciso de comprometimento público. Isso alavanca as intenções, o trabalho do treinador.
Outra necessidade que Toninho enxerga como fundamental é o comprometimento com a torcida, que deixou de acompanhar os jogos na Vila Capanema com frequência. O técnico lembra que o primeiro passo foi dado no empate com o Atlético-PR, quando os atletas saíram aplaudidos pelos 233 paranistas que foram até o Ecoestádio.
- A confiança do torcedor precisa ter. Terminou conquistando o torcedor, os jogadores saíram aplaudidos e criou uma sinergia importante para o início da temporada. Precisamos começar bem para conquistar a torcida. Vamos trabalhar duro para isso - finaliza.
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