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Flamengo aposta na Copa do Brasil para ter um feliz ano novo

Final da Copa do Brasil põe em jogo mais do que uma taça.

O chamado “ano de transição” do Flamengo pode sair melhor do que a encomenda. Na eleição, a promessa de dias melhores e craques que, afinal, não vieram. No meio do ano, “perspectivas obscuras”, como a própria diretoria admite. Mais trocas de técnico do que o planejado, resultados e atuações ruins. Até no clube, muitos se surpreenderam com o progresso súbito do time, que “deu liga” como que por encanto, nas mãos de um treinador que também não era a aposta do clube. Jayme de Almeida nunca fora cogitado. Coisas do futebol. Amanhã, será com este time e este técnico que, em 90 minutos contra o Atlético-PR, o Flamengo jogará algo além de mais uma decisão em sua história. Jogará sua realidade para o ano que vem. Estar ou não na Libertadores indicará que Flamengo se verá em 2014.

— Quem não estiver na Libertadores em 2014 terá um primeiro semestre muito difícil. Serão só os Estaduais e duas ou três rodadas do Brasileiro. Tudo vai se voltar para a Copa do Mundo. Será difícil obter investimentos — diz Wallim Vasconcelos, vice-presidente de futebol do Flamengo. — Na Libertadores, teremos mais receita, poderemos vender pacotes de ingressos da primeira fase, fidelizar sócios-torcedores. A capacidade de investimento será maior. Não vai ser o ideal ainda, mas vai melhorar. Agora, se não for à Libertadores, é outro orçamento.

Se bater o Atlético-PR e conquistar a Copa do Brasil, o clube terá direito a bônus da Adidas, fornecedora de material esportivo, e da Caixa Econômica Federal, principal patrocinadora, pela classificação ao principal torneio sul-americano. Além disso, acredita que a ida à Libertadores impedirá a evasão dos sócios-torcedores após o boom de adesões motivado pela busca de ingressos para a final de amanhã. A ideia é chegar perto de 100 mil sócios, gerando receita mensal de R$ 5 milhões. Valor que pagaria um alto percentual da folha salarial do futebol.

Toques do inesperado

A mudança de cara do 2013 rubro-negro aconteceu quando muitos já o davam como caso perdido. A realidade financeira, a dificuldade de competir no mercado, o desempenho de muitos dos contratados, tudo isso punha no horizonte do Flamengo um ano delicado. Ainda no Estadual, já predominava na nova diretoria o discurso de que se tratava de um “ano de transição”. E havia prioridades fora do campo. O reordenamento financeiro incluiu o pagamento de dívidas e impostos correntes para obter e manter as Certidões Negativas de Débito, consumindo quase R$ 7 milhões por mês. Uma estratégia controvertida. Os críticos defendiam que o clube atacasse só dívidas que causavam penhoras, sem inibir tanto os investimentos no time. Os dirigentes atuais garantem: não havia escolha. O vice de finanças Rodrigo Tostes afirma que o clube fechará o ano com R$ 80 milhões pagos entre impostos correntes e devidos e terá diminuído a dívida em R$ 100 milhões.

— Em 2014, o desejo é reforçar o time. Claro que depende da Libertadores, mas é necessário. A situação ainda será muito difícil. Não se resolve dívida de R$ 750 milhões de uma hora para outra — diz Tostes.

Só que, durante boa parte de 2013, o futebol sofreu. E, por um momento, o tom nos corredores da diretoria era de absoluto pessimismo.

— Óbvio que a situação estava difícil. Em junho, as perspectivas eram obscuras mesmo — admite Wallim. — Alguns jogadores não rendiam, como Wallace, Paulinho. O Hernane não se destacou no primeiro semestre, Elias cresceu ao longo do ano...

No início do Brasileiro, vieram nomes como Val, Diego Silva, Bruninho e Paulinho, com currículos modestos. E, de fato, os três primeiros ainda não corresponderam. Assim como Carlos Eduardo, vaiado a cada jogo. Quando arriscou e abriu um pouco mais o cofre, o clube recorreu a Marcelo Moreno, que até agora não vingou. Depois, a Chicão e André Santos. Este último veio porque João Paulo, contratado em janeiro, ia mal na lateral. Ao chegar, André Santos mostrou-se fisicamente abaixo do desejável e foi parar no meio-campo. Até que, no duelo contra o Botafogo, pela Copa do Brasil, João Paulo se machucou e não jogou. Jayme retornou André à lateral. Paulinho foi ajudá-lo pela esquerda. E o Flamengo fez um de seus melhores jogos no ano. Antes, ainda com Mano Menezes, já eliminara o Cruzeiro numa grande atuação e atraíra a torcida para o seu lado. Este, um aspecto decisivo.

Mas o pedido de demissão de Mano Menezes soou como o ponto máximo da crise e da descrença no elenco. O clube já demitira Dorival Júnior e Jorginho. Jayme era um auxiliar que o clube nunca enxergara como potencial treinador.

— Ele era um auxiliar, falava pouco, eu mesmo não o conhecia tanto. Na primeira reunião com o time, deixou ótima impressão. Foi incisivo. E os resultados foram aparecendo — lembra Wallim. — Numa reunião, os jogadores garantiram que dariam o máximo. Quando a relação entre técnico e time dá liga, não adianta mudar. É mérito do Jayme e do grupo.
Imagem: ReproduçãoO técnico Jayme de Almeida, de interino a finalista da Copa do Brasil Gustavo Miranda(Imagem:Reprodução)O técnico Jayme de Almeida, de interino a finalista da Copa do Brasil Gustavo Miranda
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