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Exemplo de superação, piauiense Ângelo Borim planeja Paralimpíadas

Melhor brasileiro da categoria TR4 do Paratriatlo, Ângelo Borim, conquistou ouro no Pan-Americano no último final de semana e quer chegar aos Jogos

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarO piauiense planeja disputar as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016(Imagem:Reprodução)O piauiense planeja disputar as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016
Após conquistar a primeira colocação no Pan-Americano de Paratriatlo pela categoria TR4, no último domingo (30), em Vila Velha (ES), o piauiense Ângelo Borim foca sua preparação para o Mundial na modalidade, que acontece no mês de setembro em Londres.

O torneio é uma das etapas para chegar às Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Esta não será a primeira vez que Ângelo disputará um Mundial. Sua primeira participação no encontro com os melhores paratletas do triatlo aconteceu em 2010, em Budapeste.

Na competição, que contou com a estreia do paratriatlo no programa paralímpico, o piauiense ficou na quinta colocação. No ano seguinte, na China, Ângelo conquistou seu melhor resultado até hoje: o vice-campeonato mundial.

Um problema de saúde, no entanto, tirou o bom momento do piauiense. Ao desenvolver um hipertireoidismo devido ao excesso de treinos, Ângelo se viu perdendo praticamente toda sua massa muscular e tendo preocupações bem maiores com sua frequência cardíaca, problemas trazidos com a doença. As complicações não o fizeram desistir, mas, em 2012, o paratleta caiu de rendimento. No mundial daquele ano, disputado na Nova Zelândia, Ângelo ficou na 12º colocação.

A queda de posição, além de contar com o quadro clínico, também se soma à grande evolução que a modalidade teve nos últimos anos, internacionalmente. Com os pés no chão, o maior projeto do piauiense para esse ano, é voltar a ficar entre os 10 primeiros do mundo.

O nível das competições internacionais evoluiu muito e, mesmo eu me dedicando 100% ao paratriatlo, não consigo acompanhar essa mesma evolução de fora. Até as próprias condições do Brasil já são difíceis para isso, mesmo com a estrutura de apoio que tenho. O triatlo ainda é um esporte difícil de se praticar aqui, explica Ângelo Borim.
Sonho Paralímpico

Como qualquer atleta de rendimento, a rotina de treinos de Ângelo não é menos ‘puxada’. Correr, nadar e pedalar são atividades que o piauiense encara diariamente por pelo menos quatro horas, que para ele se prolongam muito mais.
O treino é na verdade 24 horas, porque a gente tem que cuidar da alimentação e do descanso. Desde a ida ao supermercado para comprar a comida certa até a hora de dormir, estou treinando também, revela Ângelo.

A preparação, no entanto, é para um resultado futuro. Consciente de suas condições hoje, mesmo sendo o melhor atleta do Brasil em sua categoria, o piauiense diz não ter possibilidades de conquistar uma medalha nesse mundial.

Sei que não tenho nenhuma chance de medalhas no Mundial. Lá eu quero melhorar o meu rendimento do ano passado e ficar entre os dez. Meu foco é a conquistar pontuações boas, pois para estar nas Paralimpíadas de 2016 é importante eu sempre ficar bem ‘ranqueado’ – analisa Ângelo Borim.

Uma vida nova e bela

Como boa parte dos paratletas, Ângelo Borim também tem uma história de vida de superação e reconhecimento. Foi com o esporte que o piauiense encontrou a melhor maneira de superar um acidente de carro que lhe tirou um dos braços, em 2006.

Naquele ano, Ângelo estava se estabilizando em São Paulo, cidade onde começou a estudar psicologia. Em fevereiro aconteceu o acidente. Seis meses depois, o piauiense resolveu voltar para as piscinas, onde se dedicou à natação nos três anos seguintes.

Desmotivado com os resultados que vinha obtendo, pesquisou sobre o triatlo e decidiu conhecer a modalidade.
Em 2010 Ângelo realizou a sua primeira prova de triatlo. De lá para cá, nunca mais parou.
Gostei do esporte, vi que tinha potencial e resolvi investir,relembra.

O potencial foi provado imediatamente quando, no mesmo ano, já estava disputando um mundial na modalidade. Na ocasião, ficou entre os cinco melhores do planeta na categoria TR4.

A ascensão, no entanto, trouxe uma situação complexa para Ângelo. Responder na prática questões difíceis: Como fazer um grande atleta em apenas três anos? Como chegar perto dos resultados que só crescem mundo a fora por atletas com larga experiência? Fazem do piauiense diferenciado.

Com um humor aparentemente ácido, Ângelo diz sorrindo qual seria a melhor solução para os problemas a cima.É como eu falo para os meus amigos: se eu tivesse perdido o braço antes, teria melhores condições hoje brinca o piauiense.

A maneira alegre de ver as dificuldades, que para muitos pode parecer até impensável, para Ângelo é apenas uma das possibilidades que o esporte pode oferecer.
O esporte tornou fácil a perda do meu braço, e me mostrou um lado bonito da vida – finaliza.
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