Treinadora Rosicléia revela bronca em Rafaela após "susto" na segunda luta
Técnica da seleção feminina lembra luta contra romena, quando a campeã mundial venceu faltando apenas 15 segundos para o fim do combate no Rio
Imagem: ReproduçãoClique para ampliar
Rosi e Rafaela se abraçam após a conquista do ouro inédito no Rio
Mesmo afastada da área técnica por conta da licença maternidade, Rosicléia Campos não deixa de acompanhar as meninas da seleção, que estão sob o comando de Mario Tsutsui. E nesta quarta-feira não foi diferente.
Rosi e Rafaela se abraçam após a conquista do ouro inédito no RioEla viu de perto, e sofreu até perder a voz, cada luta de Rafaela Silva na trajetória do ouro inédito no Mundial do Rio. Apesar da felicidade com a conquista, Rosi revela a bronca que deu na campeã após o "susto" na segunda luta, quando ela conseguiu a vitória diante da romena Loredana Ohai apenas a 15 segundos do fim do combate.
Rafaela foi direto para a sala de aquecimento e lá estava Rosi, que lhe deu um "puxão de orelha" pela atuação, já que ela também não tinha gostado do desempenho da pupila contra a americana Hana Carmichael, na estreia. Para a técnica, ela poderia ter ido melhor em ambas as lutas.
Passei o tempo todo na sala de aquecimento com ela. Deu um medinho naquela luta. Ela vinha atrás, tomou um yuko e só foi derrubar faltando 15 segundos. Quando ela chegou, eu disse: "Opa, foi bom para você acordar", porque ela foi displicente com a americana. Ganhou, mas poderia ter finalizado a luta antes, o potencial dela é muito maior, mas foi bom que ela acordou. A competição é boa por isso. Cada luta você tem a opção de melhorar - garante Rosicléia.
Um ano antes...
Rosicléia viveu de perto o drama de Rafaela nas Olimpíadas de Londres, no ano passado. Por um golpe ilegal, a brasileira acabou eliminada logo na segunda rodada da competição e viu o sonho da medalha ir embora. Foi Rosi quem segurou a onda no vestiário. Conversou com Rafaela, deu força, viveu ao seu lado os meses seguintes de depressão, a incerteza da categoria em que lutaria dali para frente, e viu sua recuperação passo a passo, até o ápice com o título mundial.
Chorando e sem voz de tanto gritar das arquibancadas do Maracanãzinho, a treinadora desabafou após a inédita conquista, revelando que não tinha dúvidas de que sua pupila seria campeã olímpica no ano passado caso não tivesse sido eliminada por aplicar um golpe ilegal.
Fez um ano das Olimpíadas, a Rafaela vinha com esse gostinho engasgado. Eu não tinha dúvidas de que ela seria medalhista olímpica. Hoje, todos os atletas estão adaptados às novas regras. A Confederação Brasileira de Judô fez nossos atletas viajarem muito para se adaptarem. E o resultado está aí, com a Rafaela campeã mundial e com um estímulo a mais para conseguir esse feito depois do que aconteceu em Londres.
Rosi destacou também o feito inédito de Rafaela, a quem chamou de "guerreira da vida", por tudo que passou, desde a infância pobre na Cidade de Deus, comunidade da zona oeste do Rio de Janeiro, até o fatídico dia em Londres.
É bom para todo mundo, para ver que tem que perseverar. Você não pode ser engolido por uma derrota. E está aí a prova. Um ano depois, ela é campeã mundial. Uma guerreira da vida. Eu não tenho dúvidas que ela e nossa equipe toda, que é jovem e experiente, podem conseguir conquistas. É mais um recorde que a gente consegue bater.
O judô feminino está quebrando paradigmas. Começamos vencendo as cubanas, depois tivemos a medalha da Ketleyn em Pequim 2008, com aquele bronze, e depois o ouro da Sarah, em 2012. Agora chegou nosso ouro no Mundial, com um gostinho especial. Nossa responsabilidade só aumenta - frisou a técnica.Agora o foco é buscar a medalha olímpica no peso leve (até 57kg), nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.
Agora vamos atrás para fazer a nossa campeã olímpica. Nós vamos buscar isso. Só estamos começando um ciclo olímpico. A gente não sabe se ela será a campeã mundial no ano que vem, mas o que importa é a sequência dela no ciclo olímpico.
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