Jogadores e técnicos entre cautela e apreensão sobre regra dos 21 pontos
Bernardinho considera regra inadequada, Giba e José Roberto Guimarães preferem aguardar, e Serginho e Waleskinha citam concentração maior.
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Bernardinho gostaria que regra fosse testada em torneios menores
Maior concentração, menos tempo para reação, críticas e cautela. Estas estão sendo as primeiras reações à regra dos 21 pontos por set, adotada nesta Superliga para tornar as partidas de vôlei mais dinâmicas.
Bernardinho gostaria que regra fosse testada em torneios menoresA competição masculina começou no último domingo, quando o Cruzeiro venceu São Bernardo em partida antecipada da quarta rodada a rodada inicial será disptada a partir desta sexta. Enquanto jogadores que já entraram em quadra como o líbero Serginho, do time mineiro, ainda preferem aguardar para formar uma opinião, o técnico Bernardinho lamenta que a experiência seja feita logo de cara em uma competição tão importante.
O sentimento do treinador do Rio de Janeiro, campeão da Superliga feminina, é de apreensão e contrariedade. Bernardinho reclama da imposição da regra aos clubes e sugere a diminuição do “tempo morto” entre os rallies excesso de reclamações, conversas com o juiz e comemorações para dinamizar as partidas:
O intervalo entre os rallies estava muito longo. Isso foi medido e a média estava em torno de 25s. Se cair para 15s, 10s as partidas ficariam mais enxutas. Interferir no “tempo morto” seria a decisão mais acertada. Não fui consultado. Espero que os clubes se levantem e parem essa regra. Ela é fora de propósito e inadequada. Precisamos tremendamente da televisão. Quem sou eu para dizer que não. Mas se chegarmos à conclusão que não dá para diminuir mais o tempo entre os rallies e o modelo continuar inadequado para a televisão, precisaremos pensar em uma nova mudança.
Principal reforço do Taubaté, Giba prefere entrar em quadra para emitir uma opinião. Ele espera que a mudança dê mais exposição e patrocinadores ao esporte. Mais receoso, José Roberto Guimarães, treinador do Campinas, também vai aguardar o início da Superliga feminina, no dia 27 deste mês, para analisar os efeitos da nova regra.
Mas há quem já entrou em quadra e ainda não teve uma opinião formada. Diferente da maioria dos companheiros de Cruzeiro, que não gostaram da novidade, o líbero Serginho quer jogar mais vezes antes de se definir. Ele questiona se o esporte ficará mais comercial com a nova regra e lamenta que os atletas não tenham sido consultados.
A regra desagradou à maioria do time. Alguns acham que o vôlei perdeu a caracteristica, outros que a duração não vai mudar muito. Para nós, é mais treino, mais concentração e menor poder de concentração.
Qualquer distração acaba sendo cobrada no fim do set. Por um lado, é uma regra que faz com que os meios de comunicação estejam do nosso lado. Em contrapartida, esportes que duram muito mais tempo do que o nosso continuam tendo visibilidade, como o tênis. Tem muita gente criticando, mas o fato é que temos que ter um tempo. Estou em fases de teste. Não gosto de ficar em cima do muro, mas acho precipitado falar – disse o jogador de 35 anos.
Set mais curtos, como tie-break
Jogadoras do Rio de Janeiro brincam ao dizer que assim como o tempo de jogo, a duração dos treinos também deveria diminuir. Ao falar sério, a levantadora Fofão diz que os sets de 21 pontos terão uma dinâmica semelhante ao da disputa de um tie-break (assista ao vídeo). Waleskinha acredita que os desempenhos das equipes não poderão mais oscilar.
Acho que vai ser bom para a televisão, os jogos vão ser mais rápidos. Mas às vezes a gente ainda conseguia reverter um set com 21. Agora passou a ser no 15º. O peso do erro vai ser maior. A questão é essa. O time não pode mais oscilar. O treinamento vai ser muito mais importante. No início a gente não vai imaginar que o 20 é o set point. Vai ser questão de costume, dois ou três jogos.
A redução do número de pontos surgiu a partir de uma solicitação de emissoras de televisão do mundo todo para tornar as partidas mais curtas. Um comitê da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), formado por 25 treinadores, foi consultado sobre o pedido e sugeriu a nova regra.
Além da Superliga, o campeonato Europeu de clubes também terá o mesmo formato. De acordo com o superintendente da competição, Renato D"Ávila, no final da temporada os treinadores serão ouvidos e estatísticas serão avalidadas e enviadas para a FIVB, que decidirá se a mudança será ou não aplicada mundialmente. D"Ávila disse que uma das sugestões citadas por Bernardinho também foram dadas.
Existia a possibilidade de cronometrar o saque. Após cada rally, o atleta teria 15 segundos. E eliminar o protocolo de substituição, que passaria a ser da mesma forma como acontece com o líbero. Entendemos que não seria necessário implantar tudo. Todos entenderam que o mais prudente seria fazer uma destas mudanças.
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