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Atacante Michael do Fluminense é suspenso por 16 meses por doping

Pena poderá ser reduzida para oito meses se atacante cumprir requisitos impostos pelo tribunal, como palestras e comprovação do tratamento

Imagem: ReproduçãoClique para ampliarAcompanhado do pai, Michael (camisa cinza) esteve presente no julgamento no STJD, mas não foi chamado para depor, como estratégia dos advogados de defesa do Fluminense.(Imagem:Reprodução)Acompanhado do pai, Michael (camisa cinza) esteve presente no julgamento no STJD, mas não foi chamado para depor, como estratégia dos advogados de defesa do Fluminense.
Michael, do Fluminense, está suspenso por 16 meses por doping. A pena pode ser reduzida para oito meses, caso ele siga uma série de requisitos feitos pelo tribunal, como palestrar falando da prevenção ao uso das drogas, fazer exames e comprovar que está fazendo tratamento.

O jogador foi flagrado pelo uso de cocaína e após muita demora teve seu caso julgado nesta quinta-feira, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio de Janeiro. Michael já cumpriu 110 dias da punição.

Nos próximos quatro meses ele terá que, mensalmente, comprovar que está seguindo os pedidos do tribunal. Se atender todos, Michael poderá voltar a jogar já no começo da próxima temporada.

Michael esteve presente no julgamento junto de seu pai, Anselmo Leonel, mas não foi ouvido. Mario Bittencourt e Roberta Fernandes, advogados do Fluminense, representaram o jogador. A defesa buscava uma punição pedagógica ou até mesmo a absolvição do atleta. Para isso, clube e jogador abriram mão da contra-prova na época da divulgação do doping e Michael ainda cumpriu suspensão voluntária. Porém, o juri não se comoveu com o caso e decidiu pela suspesão.

O primeiro a ser ouvido pela defesa foi o médico Michael Simoni, que já trabalhou no Fluminense. Ele seguiu a estratégia traçada e exaltou a importância do esporte no tratamento de um usuário de droga, e que a cocaína não traz benefícios ao atleta.

O uso da cocaina não dá ganho de desempenho, pelo contrário, gera prejuízo. Além do risco de morte. Entendendo como doença a cura vem com tratamento psiquiátrico e a parte esportiva como estímulo. Para tentar ter algum benefício com cocaína, teria que se consumir antes do jogo e isso não existe - disse o médico.

O psquiatra que vem cuidando de Michael, Dr. Gabriel Bronstein, foi o próximo a ser chamado pela defesa. Ele falou como está sendo o tratamento e a forma como se escolheu o tratamento do jogador.

Quando foi notificado o uso, foi pedido o início do tratamento. No momento, ele se encontra internado e é acompanhado diariamente por uma equipe. Ele apresentou sintomas depressivos no período anterior a sua internação, já depois do laudo. Ele está progredindo muito e tem se beneficiado, entendido o problema e como deve enfrentar. O caso dele não é dependência e sim de uso nocivo, mas o tratamento vai pelos mesmos caminhos - explicou o Dr. Bronstein.

Questionado, o psquiatra foi mais detalhista sobre como tem sido a rotina de Michael na clínica e o que será feito na continuação do tratamento.

Seriam 30 dias o primeiro período de internação. Ele está com 22 dias hoje. A internação foi um pedido do próprio atleta sentindo que estava em risco. Ele está na área de dependência quimica - revelou o psquiatra.

O procurador Paulo Schmitt tomou a palavra depois do depoimento do Dr. Bronstein. Ele relembrou casos como o de Jobson, que também alegou dependência química e foi punido, mas não se esqueceu a preocupação em recuperar a vida esportiva do atleta.

A pena prevista para droga social, como sendo proibida, tem pena base de dois anos. Foi assim com Jobson e outros casos. Se fixou penalidade abaixo desse teto. Tomando por base esse patamar, nós criamos uma forma de tratar deste tema entre a fixação de pena retributiva e a necessidade de recuperação dos que fazem uso de drogas sociais.

Caso como esse requer aplicação da norma internacional em concordância com a recuperação da vida esportiva. Depois de comprovada metade da pena, com tratamento, acompanhamento e características necessárias para recuperação, que haja possibilidade imediata de retorno a atividades esportivas, aplicando de forma mista o regulamento antidoping mundial com o código brasileiro que prevê metade em medida social - disse o procurador.

O advogado Mario Bittencourt apelou também para a questão social do envolvimento do jogador com as drogas, lembrou o histórico dele e depoimentos de pessoas próximas, como o técnico Abel Braga e chegou a compará-lo ao ex-jogador Casagrande, que também sofreu com a dependência das drogas, até mesmo depois que encerrou a carreira. Nesse momento, Michael e pai começaram a chorar ouvindo as palavras do advogado.

 Os médicos foram claros que o tempo ocioso fará e fez com que ele buscasse a droga. As atitudes dele mostram que merece ser recuperado. Deixar mais tempo alijado do trabalho aumenta o risco de ser um dependente químico.Temos de salvar esse atleta. Para sorte do Michael ele foi flagrado no doping.

O doping salvou o Michael - finalizou o advogado.
Elogiando a defesa de Michael o relator do caso, Dr. Décio Neuhaus, pediu que o jogador recebesse uma pena inicial de 16 meses (dois terços da pena máxima de dois anos), que poderia ser reduzida para oito meses, caso ele faça palestras uma vez por mês com o tema de prevenção ao uso de drogas, passe por exames e comprove o tratamento.

O primeiro auditor Dr. Ronaldo Botelho, seguiu o relator, assim como o Dr. Gabriel Júnior e o vice-presidente do STJD, Dr. Caio César. Já o terceiro auditor, Dr. Paulo César Salomão, discordou dizendo que não sente pena do atleta e pediu a pena máxima de dois anos, podendo ser reduzida para um ano, caso Michael seguisse os requisitos do tribunal.

O presidente Flavio Zveiter seguiu o voto do Dr. Salomão. Com o placar de 4 a 2 ficou definida a pena de 16 meses, podendo ser reduzida para oito.

Após a sentença, o jogador chorou de alegria e abraçou os familiares e o psquiatra, Dr. Gabriel Bronstein. Ele deixou o tribunal e não quis comentar a pena.

Entenda o caso
Michael foi pego no exame antidoping no começo deste ano pelo uso de cocaína. O atacante está sem atuar desde o dia 5 de maio, na derrota para o Botafogo na final da Taça Rio, em Volta Redonda. Ele foi pego após a partida contra o Resende, pelo returno do Carioca deste ano, na qual o Fluminense venceu por 2 a 0, com um gol seu. Michael assumiu que fez uso da droga. Ele cumpriu suspensão voluntária enquanto aguardava o julgamento pelo TJD-RJ. No começo de agosto o STJD definiu, por unanimidade, que o tribunal estadual lhe enviasse os autos do processo devido a demora.
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