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Curitiba banca Arena e fala em "catástrofe" e "caos" se perder Copa

A engenharia para cumprir com tal prazo foi apresentada na terça-feira, em reunião com representantes da prefeitura, governo do estado, Fifa e Atlético-PR.

Virou assunto nas ruas da capital paranaense e por todo o Brasil. Nesta semana, a cidade ficou ameaçada de ser excluída como sede e tem até 18 de fevereiro para convencer a Fifa de que deixará a Arena da Baixada pronta em tempo hábil.

A engenharia para cumprir com tal prazo foi apresentada na terça-feira, em reunião com representantes da prefeitura, governo do estado, Fifa e Atlético-PR. Com a liberação de R$ 39 milhões, além de um aumento no número de operários em 500 novos trabalhadores (totalizando 1,5 mil) e um conselho gestor formado às pressas, Curitiba espera se manter e não passar a vergonha de não sediar os quatro jogos programados para a primeira fase.

A gestão atual, comandada pelo prefeito Gustavo Fruet, investiu 90% dos mais de R$ 572 milhões para assegurar a realização da Copa na cidade. Entre os gastos, estão o potencial construtivo para a reforma do estádio, melhorias em seu entorno, revitalização da praça Afonso Botelho, além de reformas e obras de mobilidade urbana espalhadas por Curitiba.

Apesar da chance real de exclusão, Curitiba demonstra ainda estar tranquila. “A preocupação não chega a esse ponto. A retirada da cidade implicaria em um grande problema para os envolvidos, mas o estádio estará pronto para a Copa”, diz Fruet.

O governador Beto Richa, por outro lado, vem pouco aparecendo para comentar tal situação. O político esteve presente junto a Fruet na reunião que contou com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, autoridades do Estado e município, e o presidente do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia – outro que também vem evitando exposição e sequer esteve presente na entrevista coletiva realizada na terça-feira alegando ser “uma estratégia política”, sem se pronunciar oficialmente até agora sobre o caso.

Retirar a cidade da realização da Copa seria uma catástrofe e uma perda muito grande para todos.

Mario Celso Cunha

Secretário Estadual para Assuntos da Copa do Mundo

Mario Celso Cunha, Secretário Estadual para Assuntos da Copa do Mundo, sabe que o atual momento não é bom e coloca uma exclusão de Curitiba como uma enorme vergonha. “Retirar a cidade da realização da Copa seria uma catástrofe e uma perda muito grande para todos”, confessa.

Na Matriz de Responsabilidades, documento que apresenta os valores a serem investidos por governos federal, estaduais e municipais, bem como de agentes privados, na liberação de recursos e na execução das ações, há uma cláusula em caso de denúncia ou rescisão.

No parágrafo único da cláusula nona é colocado que “a exclusão da cidade-sede, por qualquer motivo que seja, desobrigará os signatários das responsabilidades previstas nos Anexos e Termos Aditivos”. Ou seja, em caso de Curitiba ser excluída, o governo não terá responsabilidade sobre os compromissos firmados.

Orçada em R$ 184 milhões, a Arena da Baixada está com um custo atual de R$ 265 milhões. A conta final, entretanto, ainda não fechou. Uma auditoria está sendo feita internamente para rever os gastos e ter um valor final. Além do CT do Caju, o Atlético-PR colocou a verba de transmissão da TV até 2018 como garantia. O clube recebe, anualmente, cerca de R$ 32 milhões. O estágio de reforma do estádio está em 88,8% das obras concluídas.

Hotel

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Jérôme Valcke não garante Curitiba como sede da Copa do Mundo
O setor de hotelaria seria um dos mais prejudicados caso Curitiba fosse excluída do torneio. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABIH-PR), Henrique Lenz César Filho, classifica essa chance como absurda.

“Seria um caos, com um prejuízo tão forte para os hotéis. Isso não pode acontecer. A cidade ficar de fora sequer passou na minha cabeça durante todo esse tempo”, declarou Filho. O empresário disse que os hotéis da cidade estão todos prontos para receber a demanda de turistas.

“Se acontecesse hoje, estaríamos 100% já. Estamos planejando desde 2008, com tratativas com a Fifa desde 2010 para deixar tudo alinhado. Solicitamos aos nossos próprios clientes que não fizessem nada de evento, congresso nesse período de disputa, porque deixamos mais de 80% reservado somente para quem vier a Curitiba”, completa o presidente.

A rede de hotéis de Curitiba promoveu investimento alto. Apesar de ainda não ter dados concretos, Henrique falou que foram feitas benfeitorias, reformas, treinamentos especializados e cursos de línguas estrangeiras.

Por isso, o presidente da ABIH-PR afirma que, se a Arena da Baixada não ficar pronta, não tem como recuperar o que foi investido. “Nossa cidade não deve nada a nenhuma cidade do Brasil e até da América do Sul nessa questão de hotel. Porém, se não tiver a Copa aqui, tenho certeza de que muitos, infelizmente, vão ter que fechar as portas”, finalizou.

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A indefinição de Curitiba para a Copa do Mundo também envolve os ingressos vendidos para as quatro partidas programadas para a cidade: Irã x Nigéria (16 de junho), Honduras x Equador (20 de junho), Austrália x Espanha (23 de junho) e Argélia x Rússia (26 de junho).

Nas duas fases de vendas até aqui, os bilhetes disponibilizados para a cidade tiveram uma grande procura, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. Os preços, para os brasileiros, variam de R$ 60 (categoria 4) a R$ 350 (categoria 1) por se tratar apenas de jogos da fase de grupos.

Juliano Lorenz Oscar, 28 anos, comprou ingresso para três partidas na capital paranaense e não se diz preocupado com a chance de ficar sem ver os jogos. “Estou tranquilo quanto a essa possibilidade, acredito que não irá acontecer. A possível exclusão vai fazer os governos - igualmente interessados no evento - começarem a se mexer para a cidade toda não passar uma vergonha histórica”, afirma o jornalista.

Já Carlos Vicente, engenheiro de 35 anos, já vê de forma diferente. O torcedor comprou ingresso para jogos em Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Para ele, a primeira cidade ainda causa receio. “Venho acompanhando o noticiário e cheguei a me assustar. A princípio, até acho que a cidade será mantida, mas estou receoso ainda. Uma mudança atrapalharia meu planejamento de viagens para a Copa, além de um aumento considerável nos gastos”, ponderou.
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