Disciplina militar é segredo de escola com maior nota do Pará no Enem
Estudantes acreditam que educação rigorosa é chave do sucesso. Colégio atende a filhos de militares.
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Colégio Rego Barros teve maior média do Enem 2011 no Pará
O colégio federal Tenente Rego Barros foi a escola paraense com a maior média geral do Enem 2011, conforme dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na última quinta-feira (22). Com uma média de 626,8, a escola se destacou entre os colégios de Belém.
Colégio Rego Barros teve maior média do Enem 2011 no ParáO critério utilizado para inclusão de uma escola na lista divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) é o mesmo do sistema "Prova Brasil", apenas com unidades em que pelo menos 50% dos alunos matriculados e com o mínimo de dez alunos que estavam concluindo o ensino médio participaram do exame. Os números levam em consideração os dados do Censo Escolar.
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Do ensino fundamental ao médio, o uso do uniforme completo é exigência para poder frequentar as aulas
Disciplina de quartel
Do ensino fundamental ao médio, o uso do uniforme completo é exigência para poder frequentar as aulasUm total de 1.540 alunos está matriculado na escola de ensino fundamental e médio Tenente Rego Barros. Desse montante, 340 estudantes estão distribuídos em 12 turmas de ensino médio que preparam candidatos para exames vestibulares no estado e em todo o país. Cerca de 100 alunos integram as turmas do terceiro ano, que comportam apenas 30 estudantes por sala.
Comandar a complexa estrutura cabe à união de diversos profissionais: a diretora geral Deusélia Nogueira, a diretora administrativa Anahy Treptow, e a diretora pedagógica Marlete Araújo, que, com o apoio e a supervisão militar do Tenente Coronel Joan, mantêm a ordem, o rigor e a disciplina que tornaram o Rego Barros uma referência em educação no estado.
“A escola é maior que todos nós, é parte da gente. Isso aqui é uma família. E como toda família, também temos problemas, que são superados com a cooperação e o envolvimento de todos”, resume Anahy Treptow, ex-aluna do Rego Barros e hoje à frente da direção administrativa. As reuniões com a equipe de 120 professores e os demais funcionários que atuam na escola acontecem semanalmente para mapear os problemas e buscar as soluções para as ocorrências do cotidiano.
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Deusélia Nogueira, Anahy Treptow e Marlete Araújo, com o apoio do supervisor militar Tenente Coronel Joan, comandam a escola Rego Barros
Fazer parte do corpo discente do Rego Barros não é tarefa fácil. A direção geral da escola informou à reportagem do G1 que a instituição se trata de uma escola assistencial da Aeronáutica, que recebe como alunos os filhos ou familiares de militares da instituição. Porém, a direção esclarece que 36,2% do total de alunos matriculados é composto por civis sem vínculo militar. Até 2007, para ingressar na escola era necessário se submeter a um concorrido processo seletivo.
Deusélia Nogueira, Anahy Treptow e Marlete Araújo, com o apoio do supervisor militar Tenente Coronel Joan, comandam a escola Rego BarrosDe acordo com a diretora geral Deusélia Nogueira, o Rego Barros não recebe dotação orçamentária. Por essa razão tem como fonte de recursos a contribuição mensal dos responsáveis financeiros dos alunos. O valor, que varia entre R$ 67,00 até R$ 237,00 (conforme a patente do militar responsável pelo aluno), é reajustado segundo o índice que regula o aumento do valor das mensalidades escolares. Com o pagamento desse valor mensal são quitadas as despesas fixas da escola.
“O apoio que recebemos do Ministério da Educação (MEC) vem com os livros didáticos que são distribuídos aos alunos, a merenda escolar e os equipamentos de informática que estão nos laboratórios e são usados pelo alunado”, esclarece a diretora geral.
Comum à rotina das escolas militares, a disciplina está na ordem no dia como a letra do hino nacional, cantado diariamente no momento de entrada dos alunos. E não para por aí: o uniforme se alinha ao rigor. Em duas versões: blusa branca com calça de malha leve, usada para atividades físicas, e o conjunto de camisa azul clara, calça de tecido azul escuro, sapatos pretos e meias brancas, os itens dos uniformes são conferidos cotidianamente pela equipe de inspetores que circula nas dependências da escola. O uso de roupas civis é permitido apenas em três ocasiões distintas: dia de Carnaval, festa junina e recebimento de boletim escolar, como aconteceu nesta sexta-feira (23), data em que a reportagem visitou a escola.
A rotina de estudos não é diferente. Os alunos têm aulas de segunda à sexta-feira, com sábados reservados à aplicação de testes, avaliações e simulados ao estilo ENEM. O início das aulas ocorre pontualmente às 13h, com encerramento às 18h. Mas a carga horária é complementada três vezes durante a semana pela manhã, com entrada às 7h e término às 11h15. Atrasos, claro, acontecem, porém, devem obedecer a uma tolerância, cronometrada, de 10 minutos.
“O atraso é registrado na ficha do aluno, e conforme o número de infrações cometidas, somadas a outras infrações, cabe uma medida que dependendo da gravidade, pode ser alvo de advertência, suspensão e até expulsão”, esclarece a diretora pedagógica Marlete Araújo.
De acordo com a direção, as aulas complementarem pelo turno da manhã foram uma alternativa encontrada para dar cumprimento ao espartano cronograma de 43 aulas semanais a que devem obedecer os alunos do último ano do ensino médio.
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lunos concluintes do ensino médio comemoram colocação no ENEM no dia da entrega dos boletins, quando é permitido usar roupas civis
Alunos dão a fórmula do sucesso
lunos concluintes do ensino médio comemoram colocação no ENEM no dia da entrega dos boletins, quando é permitido usar roupas civisApós conversar com grupos de alunos às vésperas da conclusão do ensino médio, cada um conta a própria fórmula que desenvolveu para garantir ao Rego Barros o primeiro lugar no pódio do ENEM no estado do Pará.
“Eu acredito que nós já estamos à frente por sermos poucos alunos por sala, diferente do que se observa na maior parte das escolas e cursinhos de Belém. No final, isso também faz a diferença porque favorece a concentração e o foco na preparação.”, teoriza Bianca Bandeira dos Santos, estudante de 17 anos.
Candidato ao curso de Medicina de uma universidade federal, Victor Augusto Domingues, de 17 anos, credita à exigência o perfil de sucesso dos alunos. “A escola é muito exigente de um modo geral. A nota mínima para ser aprovado é 7. O nível das provas também é alto. Ou seja, você sempre tem que estar estudando, focado, para manter as notas altas, e isso exige cada vez mais de você. E é uma exigência que só traz benefícios para o aluno e para a escola.”
Para o estudante Willian Eduardo Barbosa, de 17 anos, a autoconfiança conquistada no dia a dia da escola é um diferencial de peso. “Eu me sinto feliz de verdade por ter a oportunidade de estudar aqui; uma chance que não são todos que têm. Com as aulas que temos, com o nível dos professores com que podemos contar, eu não posso me sentir de outra forma senão bem preparado, confiante para ingressar no curso de Engenharia Civil da UFPA. E nossa preparação aqui é tão forte, que pouco sobra o que complementar em casa.”, ensina o candidato.
Ana Belle Lima, de 16 anos, acredita que o bom resultado é apenas a fase final de um longo processo, iniciado ainda quando aprenderam as primeiras letras, e na mesma escola. “Para quem estuda aqui, percebe que a preparação vem da base. O trabalho é desenvolvido desde as séries iniciais. Muitos de nós crescemos juntos, e chegamos juntos até o terceiro ano. A gente até brinca que ninguém aqui é concorrente, os alunos de fora (das outras escolas) é que briguem pelas vagas”, assevera a jovem.
Segundo Deusélia Nogueira, que exerce a direção desde 2007, a fórmula não vem pronta. “Se podemos dizer que existe essa fórmula, ela é feita de compromisso e dedicação com o trabalho realizado todos os dias dentro e fora de sala de aula. O resultado, sempre positivo, é apenas um reflexo, a merecida consequência de todo esse empenho”.
Mente sã e corpo sadio
A prática do esportes é outro item indispensável no currículo da escola, com aulas desde o nível básico até o último ano do ensino médio. “O exercício, além de manter o corpo forte e saudável, proporciona a socialização dos alunos em modalidades como o futsal, basquete, vôlei e handebol. É o velho princípio do ‘mens sana in corpore sano’”, explica a diretora pedagógica Marlete Araújo.
Neste ano, o Rego Barros agregou às opções de esportes já existentes, a prática do pilates e da capoeira, que vem sendo bem recebida entre os estudantes. Além dos esportes, atividades como o clube de xadrez e os grupos de música e de artes cênicas procuram estimular a criatividade e desenvolver as habilidades extra sala de aula.
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André Lopes Valente exibe, orgulho, a medalha de ouro conquistada na 15ª Olímpiada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
Destaque no pódio
André Lopes Valente exibe, orgulho, a medalha de ouro conquistada na 15ª Olímpiada Brasileira de Astronomia e AstronáuticaAlém dos bons resultados no ENEM e em exames vestibulares, a escola também comemora conquistas em outras competições discentes: as olimpíadas escolares. Na premiação de 2011 da 7ª Olimpíada Brasileira de Matemática da Escola Pública, um aluno levou a medalha de ouro, dois estudantes faturaram a prata e mais dois discentes ganharam o bronze. Além destes, outros 17 estudantes da escola receberam menções honrosas.
Em 2012, André Lopes Valente, aluno do terceiro ano do ensino médio, conquistou a medalha de ouro na 15ª Olímpiada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (XV OBA 2012), concurso ocorrido em maio e que contou com a participação de concorrentes de todo o país.
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