Produtores sofrem com furtos e pedem mais segurança na Horta Comunitária do Dirceu
Os agricultores relatam furtos frequentes, cercas deterioradas e ausência de assistência, apesar da importância econômica e social do espaço
A Horta Comunitária do Dirceu, em Teresina, é um espaço que gera renda, oportunidade de trabalho e garante alimentos orgânicos para a comunidade por meio do cultivo e da venda de produtos como alface, quiabo, rúcula, couve, tomate, pimenta, batata, macaxeira, cheiro-verde, plantas medicinais, além de melancia e abóbora. Apesar da relevância social e econômica, quem trabalha no local denuncia a falta de segurança, a precariedade da estrutura e a ausência de assistência técnica.
Teresinha Soares, que atua na horta desde a inauguração, em 20 de agosto de 1987, afirma que a insegurança faz parte da rotina dos trabalhadores. “Segurança aqui não tem, não. A segurança é só a de Deus mesmo. Às vezes fica um carro da polícia parado, bem raramente”, relata.

Segundo a horticultora, a cerca está deteriorada e não impede a entrada de pessoas estranhas. “Outro dia vi um caboclo entrando pelo arame e pegando o estrume do vizinho. Eu e outra mulher gritamos e ele correu. Às vezes pensam que quem está pegando é o dono, porque a cerca não protege mais”, desabafa.
Além da insegurança, os agricultores convivem com prejuízos causados pelo clima. Teresinha explica que as vendas costumam seguir um padrão razoável, com períodos de melhora, mas as chuvas fortes podem provocar perdas. “Com esse tempo de chuva as vezes se perde produto orque a pancada de chuva é muito forte e a gente tem que colocar essa tela pro impacto da agua ser menor, mas os ladrão leva as telas que a gente coloca aqui na horta também.”, afirma.
Dona Elza, de 63 anos, trabalha na horta desde 2003 e reforça o problema da falta segurança es estrutura. “O fundo está totalmente aberto, e onde estava fechado os malas quebraram e roubaram partes da cerca e alguns produtos também”, conta.

Os trabalhadores também reclamam da falta de assistência técnica. Dona Elza explica que nunca receberam orientação adequada. “Era para ter um técnico, reuniões, alguém para ensinar como usar um sulfato ou um NPK. Tem muita gente que não sabe os cuidados corretos com alguns cultivos”, reclama.
A produtora ainda aponta a necessidade de melhorias na infraestrutura, como o conserto das cercas, instalação de portões individuais, ampliação do abastecimento de água e substituição da bomba, considerada pequena para a demanda, principalmente nas partes mais altas da horta.
Mesmo diante das dificuldades, ela diz que não consegue abandonar o espaço. “Tem muito problema aqui, mas sou apaixonada. Já estou aqui a mais de 20 anos”, afirma.
Segundo Dona Elza, as vendas são boas, embora não sejam sua principal fonte de renda. “Sou aposentada, venho porque não consigo ficar parada. Tenho uma vendinha em um mercado, o que facilita, porque aqui não tem como vender direito. Se não fosse pela banca, eu passava a manhã toda aqui todos os dias”, relata.

Para os agricultores, a falta de segurança e de apoio público do local, coloca em risco não apenas a produção e as vendas, mas também a continuidade de um projeto que há décadas garante sustento, saúde e alimentos de qualidade para a comunidade.
Outro lado
O Viagoraprocurou o Polícia Militar para falar sobre o assunto referente a segurança, mas até o fechamento da reportagem a assessoria não respondeu aos questionamentos encaminhados pelo WhatsApp.
A Superintendência de Desenvolvimento Rural (SDR) também foi procurada sobre as questões estruturais, porém até o fechamento da matéria não obtivemos resposta.
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