TCE aponta que 94,64% das cidades do Piauí não possuem Plano de Contingência a desastres

O levantamento foi realizado pela Diretoria de Fiscalização de Políticas Públicas (DFPP 4) com base no questionário respondido por 224 municípios.

Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), através da Diretoria de Fiscalização de Políticas Públicas (DFPP 4), apontou que, entre 1991 e 2024, os desastres naturais afetaram mais de cinco milhões de pessoas no estado, resultando em 33 mortes e prejuízos financeiros que ultrapassaram R$ 29,9 bilhões. O relator do trabalho foi o conselheiro substituto Delano Câmara e os dados foram obtidos com base no questionário respondido pelos 224 municípios.

Conforme o relatório, os técnicos constataram que as cidades piauienses apresentam um cenário de profunda fragilidade institucional e operacional nas Defesas Civis Municipais.

Foto: Viagora
Tribunal de Contas do Estado

Entre os problemas identificados, o TCE-PI destacou que existe um descompasso entre formalidade e prática, pois, embora a maioria dos municípios (70,98%) tenha criado estruturas administrativas como coordenadorias, há uma “desconexão de execução”. O levantamento revela que apenas a existência do órgão não reflete na sua capacidade operacional, visto que 94,64% das cidades não possuem um Plano de Contingência (PLACON).

Além disso, foi destacada a existência de vulnerabilidade estrutural crítica, pois cerca de 64,73% dos municípios piauienses têm histórico de decretos de emergência ou calamidade, mas a resposta a esses eventos é predominantemente reativa e baseada no improviso. Também averigou-se que a força de trabalho é altamente instável, com 78,83% dos servidores em cargos comissionados, o que compromete a memória técnica e a continuidade das políticas de proteção, denotando fragilidade do quadro de pessoal.

Ainda segundo os dados do TCE-PI, em mais da metade dos municípios, os membros não possuem qualquer capacitação específica. Outra irregularidade identificada foi a inexistência de monitoramento e alerta, pois existe uma lacuna grave em equipamentos. Cerca de 19 municípios não possuem nenhum instrumento de monitoramento climático, e apenas 5 cidades no estado contam com canais de comunicação para emissão de alerta e 5 com rotas de evacuação definidos.

O TCE pontuou que quase a totalidade dos municípios (220/224) não regulamentou o Fundo Municipal de Defesa Civil (FUMDEC), impedindo o recebimento de transferências diretas da União e atrasa a resposta a desastres por falta de reserva financeira ágil.

Ainda segundo o órgão, 97,7% dos municípios não possuem cadastro formal de abrigos, dependendo totalmente de parcerias improvisadas com escolas e igrejas durante crises.

“O relatório conclui que a Defesa Civil no Piauí funciona hoje mais como uma estrutura burocrática do que como um sistema de proteção real. A atuação é focada no pós-desastre, falhando gravemente nas etapas de prevenção e preparação, o que aumenta os custos humanos e financeiros para o Estado e para a população”, diz em trecho do levantamento.

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Tribunal de Contas do Estado do Piauí - TCE-PI

Secretaria de Estado da Defesa Civil

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