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Copa do Mundo feminina 2023 inicia com favoritismo compartilhado

Com início no dia 20 de agosto, o Mundial chama atenção pela quantidade de times na concorrência pelo favoritismo

Na próxima quinta-feira, 20 de julho, se inicia a Copa do Mundo Feminina de 2023, sediada na Austrália e na Nova Zelândia. Com a chegada da partida de abertura, vem as indagações acerca das reais possíveis vencedoras do título da Copa do Mundo. Na última edição da competição, em 2019, os Estados Unidos e a França, que sediou o evento no mesmo ano, eram as grandes favoritas ao troféu principal. Ambas as seleções se mantêm protagonistas, mas, dessa vez, Inglaterra e Alemanha também aparecem como possíveis campeãs.

A seleção norte-americana é a maior vencedora da competição, possuindo quatro títulos, sendo os dois últimos conquistados nas duas últimas edições, vive um momento de mudança de geração e renovação na equipe. Mesmo assim, o time continua sendo um dos grandes preferidos a receber o prêmio final da Copa do Mundo, que se encerra no Estádio Olímpico de Sydney, no dia 20 de agosto.

Foto: Divulgação/InstagramSeleção Feminina Estadunidense comemora o penta
Seleção Feminina Estadunidense comemora o penta

O atual período de modificação no time estadunidense pode ser percebido claramente na lista de jogadoras convocadas para o Mundial, já que, entre as 23 atletas, o técnico Vlatko Andonovski chamou apenas nove que estiveram presentes na edição de 2019, em que a seleção foi campeã. A meio-campista Julie Ertz e as atacantes Megan Rapinoe (eleita melhor jogadora da última Copa) e Alex Morgan são algumas das jogadoras que têm mais experiência e participarão do Mundial. Já Trinity Rodman, filha de Dennis Rodman, lenda do basquete, é um nome que se destaca entre as novatas. Com 21 anos, a jovem atacante chama atenção pelo seu talento.

A comentarista Amanda Viana, do Planeta Futebol Feminino, afirmou, em participação no Videocast Copa Delas, da EBC, afirmou que a seleção dos Estados Unidos sofreu uma mudança de comando após a vitória na Copa do Mundo de 2019, com a saída do técnico Ellis e a entrada de Vlatko Andonovski, e isso levou a mudança de algumas partes do time. “Essa renovação ficou mais clara após os Jogos Olímpicos de Tóquio. Mais ou menos nos mesmos moldes da renovação realizada na seleção brasileira, ele começou a trazer jogadoras jovens que vinham se destacando na NWSL [liga profissional de futebol feminino dos EUA], mas ainda manteve uma espinha dorsal do time que foi campeão em 2015 e 2019, e que pode conquistar o inédito tricampeonato”, disse Amanda.

Já a seleção da Inglaterra chega para criar ainda mais dúvidas acerca do potencial protagonismo dos EUA. Posando como uma equipe forte e já estabelecida no âmbito do futebol feminino, a equipe inglesa busca seu primeiro título mundial e vêm com alta moral após o primeiro troféu da Eurocopa feminina, conquistado em 2022, em final contra a Alemanha.

A comentarista Isabelle Suarez, durante o Videocast Copa Delas, avaliou a capacidade da atual seleção inglesa e afirmou que, com um grande potencial e um trabalho de base muito bem feito, ela é a grande favorita para a conquista do título mundial. 

Lucy Bronze, lateral-direita inglesa, escolhida pela Fifa como melhor jogadora do mundo de 2020, é um dos nomes que mais se destacam entre as atletas da seleção. A jogadora, que teme experiência com o Barcelona (Espanha), é caracterizada como uma parte importante da equipe, que tem como técnica a holandesa Sarina Wigman (que comandava o time na final da Copa de 2019). Keira Walsh, meia, é outro grande talento que ganha destaque na Inglaterra, estrela da maior transição da história do futebol feminino, contratada pelo Barcelona junto ao Manchester City pelo valor de 460 mil euros.

Foto: Divulgação/InstagramLucy Bronze, jogadora da seleção da Inglaterra
Lucy Bronze, jogadora da seleção da Inglaterra

A seleção da Alemanha também entra na lista das seleções com forte potencial para serem campeãs do Mundial de 2023. O time alemão, maior vencedora da Euro feminina (com oito canecos no total) e dona de dois títulos mundiais na história (em 2003 e 2007), mas não vive um bom momento nos últimos anos. A equipe alemã conquistou o quarto lugar na Copa de 2015 e o vice-campeonato no campeonato europeu de 2022, sendo esses os títulos de maiores destaques nas últimas décadas.

Em entrevista ao site da Fifa, Martina Voss-Tecklenburg, técnica da Alemanha, ressalta o desejo de retornar aos momentos de glória. “Queremos ser candidatas ao título, ser uma equipe que pode ser campeã mundial [...] Essa é uma sensação boa. Acredito que, se todas ficarem em forma, podemos ser um time a ser batido”, disse Martina.

Alexandra Popp, centroavante com bastante experiência, é destacada como uma das chaves para o sucesso da seleção alemã. Jogadora do Wolfsburg (Alemanha), Popp tem 32 anos e possui as finalizações de cabeça como sua grande habilidade, algo que ela demonstrou na última Eurocopa, na qual foi uma das artilheiras, fechando a competição com seis tentos.

A Austrália é outra equipe que apresenta potencial para surpreender durante o Mundial de 2023 e espera uma campanha histórica. O time tem uma razão extra para ser ainda mais motivado, já que jogará em casa, e busca do seu primeiro título na Copa do Mundo Feminina. Entre as Matildas, apelido das atletas australianas, Sam Kerr é uma das jogadoras que mais se destaca como principal fonte de talento no time.

Jogadora do Chelsea (Inglaterra), Sam é a maior artilheira da história da seleção feminina australiana e é caracterizada como a atleta que toda equipe almeja ter. Esbanjando frieza, com rapidez de raciocínio e com um grande poder de finalização, a atacante usa suas habilidades para marcar vários gols, seja de cabeça ou com sua forte perna direita. “Sam Kerr é a grande expoente da Austrália. É uma das melhores atacantes do mundo. É, provavelmente, a maior jogadora da história da seleção feminina australiana”, disse Thiago Ferreira, colaborador do Planeta Futebol Feminino, em participação no Videocast Copa Delas.

Mais uma seleção que soma à lista de potências no Mundial de 2023 é a Espanha. Recém campeão da Copa do Mundo sub-20, o país se encontra num momento bastante positivo para o futebol nacional. O esporte espanhol também é lar de Alexia Putellas, meia-atacante do Barcelona, considerada como uma das melhores jogadoras em atividade atualmente e vencedora das duas últimas edições dos prêmios Bola de Ouro da Revista France Football e do The Best da Fifa, que consagram a melhor jogadora do mundo.

Apesar de seu talento e suas habilidades continuarem a chamar atenção, Alexia acaba de se recuperar de uma lesão de ligamento cruzado anterior no joelho esquerdo e, portanto, não está em sua melhor forma. Ainda assim, a jogadora se mantém como importante parte da equipe, que tem como técnico Jorge Vilda.

A seleção espanhola também é desafiada ao ter que lidar com conflitos entre o elenco e a federação, iniciados depois da última edição da Euro feminina. Taís Viviane, do Planeta Futebol Feminino, comentou, no Videocast Copa Delas, sobre a situação complicada da Espanha, que acabou frustrada ao ser eliminada pela Inglaterra nas quartas de final. “Na avaliação das jogadoras, um resultado frustrante, pois é uma geração talentosa, talvez a melhor que o país já teve. Na sequência, 15 jogadoras enviaram e-mails para a Federação Espanhola afirmando que não gostariam de ser convocadas para a próxima Data Fifa por questões de saúde mental. Esses e-mails não deveriam ter sido vazados, mas foram. Sendo inclusive divulgados pela própria Federação, que afirmou que não admitiria que as jogadoras quisessem escolher o treinador e pressionar a Federação de qualquer maneira”, avaliou Taís.

Com tantas seleções se destacando como possíveis campeãs da Copa do Mundo da Austrália e Nova Zelândia, é certo que o evento promete ser uma das competições mais cobiçadas e emocionantes da história do futebol feminino.

Por Rebeca Negreiros

Com informações da Agência Brasil

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