Banco Central prevê crescimento de 2% para o PIB em 2026
Na semana passada, quando aconteceu a última reunião, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual por unanimidade, para 14,25% ao ano.
No Relatório de Política Monetária, do Banco Central (BC), divulgado nessa quinta-feira (25), a autarquia elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia em 2026. A economia do país cresceu 1,1% na comparação no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o último trimestre de 2025.
“A revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”, diz o BC no relatório.
A melhora nas perspectivas é para a agropecuária e a indústria extrativa. Com isso, as estimativas para os três setores foram elevadas, bem como para a demanda interna, de consumo das famílias e investimentos por parte de empresários.
O Comitê de Política Monetária (Copom) adotou medidas para a definição da taxa básica de juros, a Selic para manter a inflação sobre controle, e avalia a evolução recente e as perspectivas da economia, especialmente as projeções de inflação.
Na semana passada, quando aconteceu a última reunião, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual por unanimidade, para 14,25% ao ano, pela terceira vez seguida, apesar das tensões em torno do fim da guerra.
“Embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços [especialmente combustíveis e alimentos], o conflito no Oriente Médio também eleva a incerteza em torno das projeções de crescimento”, explicou.
Inflação
No mês de maio, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi pressionada pelo preço dos alimentos, fechando em 0,58%. O acumulado em 12 meses do IPCA ficou em 4,72%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acima do teto da meta de inflação.
A meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) é 3%, indo de 1,5% a 4,5%, com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O relatório ressaltou que a inflação deve subir até o fim de 2026, ficando mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância ao redor da meta de inflação, e volta a diminuir em 2027.
Neste ano, subiu de 30% para 79% em comparação ao relatório anterior, de março, a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta (4,5%) em 2026.
“Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções para esse horizonte, destacam-se a surpresa altista com a realização do IPCA; a estimativa mais alta para o hiato do produto (capacidade ociosa da economia); o aumento nos preços do petróleo, de seus derivados e de commodities em geral; e o aumento das expectativas de inflação”, diz o BC.
Foi mantida em 9% a projeção para o crescimento do saldo do crédito ofertado tanto para pessoas físicas. Os bancos têm autonomia, no crédito livre, para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Enquanto o crédito direcionado é destinado aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.
O crescimento esperado para o crédito com recursos livres diminuiu 0,3 ponto percentual, para 7,8%. Já a projeção para o crédito direcionado aumentou 0,5 ponto percentual, para 10,7%. O saldo do crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 10,3% em 2025, abaixo da variação de 11,5% observada em 2024.
“A desaceleração esperada segue consistente com o cenário prospectivo para a atividade econômica doméstica e com os efeitos correntes e defasados da política monetária, em conjuntura de endividamento e comprometimento de renda elevados”, explicou o BC.
Em relação ao relatório anterior, foi reduzida a projeção de déficit em transações correntes, que são as compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda com outros países, passando de R$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões (2,1% do PIB) em 2026.
“Em termos de quantum, espera-se crescimento maior em produtos básicos, em linha com a expectativa para a produção agrícola. Já nos preços, destaca-se o aumento em soja, carne bovina e, especialmente, petróleo, seguindo a dinâmica dos preços internacionais”, diz o BC.
Com informações de: Agência Brasil
Banco Central
Comitê de Política Monetária (Copom)
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Também se destacam a confecção de artigos de vestuário e acessórios; a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos e a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.
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