Ministério Público do Piauí denuncia advogado à Justiça por apropriação indébita
De acordo com o Ministério Público do Estado, o advogado é acusado de se apropriar indevidamente do valor de R$ 19 mil, pertencente à uma cliente.
O promotor de Justiça Jaime Rodrigues D’Alencar, titular da Promotoria de Justiça de Elesbão Veloso, ofereceu denúncia contra o advogado Ramon Felipe de Souza Silva pelo crime de apropriação indébita qualificada pelo exercício da profissão, requerendo a condenação do advogado, bem como o pagamento de indenização por danos materiais e morais, ambos no valor de R$ 19 mil, a serem destinados aos herdeiros da vítima.
De acordo com o Ministério Público do Estado, o advogado é acusado de se apropriar indevidamente do valor de R$ 19 mil, pertencente à cliente Nair da Luz Silva Barcelar, já falecida.
Segundo a denúncia, Ramon Silva atuava como patrono da vítima em uma ação judicial contra o Banco Votorantim. Em janeiro de 2025, foi firmado um acordo extrajudicial prevendo o pagamento de R$ 19 mil, valor que foi depositado diretamente na conta bancária pessoal do advogado. No entanto, o montante não foi repassado à cliente, configurando a conduta criminosa.
O MPPI teve conhecimento do caso, após o viúvo da vítima, Mariano Adelino Barcelar, relatar à Promotoria que nem ele nem sua esposa haviam recebido qualquer quantia referente ao processo, e que sequer tinham conhecimento do valor a receber. A denúncia aponta também que o advogado não mantinha contato direto com os clientes, utilizando intermediários para comunicação.
De acordo com a denúncia, a conduta não é isolada, visto que foram instaurados dois procedimentos de investigação criminal em face do denunciado, ambos pela suposta prática do crime de apropriação indébita, majorado em razão do exercício da profissão, o que indicaria reiteração delitiva e abuso da relação de confiança inerente à advocacia. Diante disso o MPPI também se manifestou contra a concessão de benefícios penais, como o Acordo de Não Persecução Penal.
“Essa é a oitava denúncia criminal apresentada contra o advogado pela mesma prática”, ressaltou o promotor Jaime D’Alencar.
Conforme o representante do órgão ministeiral, o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/PI será comunicado, mediante ofícios, dos fatos narrados com as cópias das respectivas denúncias, considerando o prejuízo às vítimas causado, o prejuízo causado à imagem do Poder Judiciário, bem como a ética profissional dos advogados que atuam no Estado do Piauí.
Outro lado
O Viagora procurou o advogado para falar sobre o assunto, mas até o fechamento da reportagem ele não foi localizado. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
Ministério Público do Estado do Piauí - MPPI
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