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Medicamentos à base de Cannabis podem ter venda liberada no país

O coordenador da Fazenda da Paz no Piauí, considera que o projeto pode trazer uma destruição muito grande para a família brasileira.
01/09/2020 09h21 - atualizado

Há cerca de 5 anos aguardando o parecer da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei sobre medicamentos à base de Canabidiol (componente presente na Cannabis, mais conhecida como maconha), será analisado por uma Comissão Especial. A reunião técnica acontece nesta terça-feira (01) e contará com especialistas e representantes da sociedade civil para debater o assunto.

A proposta do Deputado Federal Fábio Mitidieri (PSD-SE) tem o objetivo de "viabilizar a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta Cannabis sativa em sua formulação". 

No Piauí, no entanto, o PL não é visto com bons olhos pela Fazenda da Paz, instituição conhecida pelo tratamento e recuperação de dependentes químicos. “Esse PL vem para trazer uma destruição muito grande para a família brasileira em todos os sentidos. Ela vai liberar o plantio, cultivo, venda, o transporte; o agronegócio da maconha. Digamos não à PL 399/2015”, afirma Célio Barbosa, Coordenador da Fazenda da Paz e Presidente da Federação Nacional de Comunidades Terapêuticas.

Já para a comunidade médica, o uso medicinal de derivados da Cannabis podem trazer muitos benefícios para a saúde pública, uma vez que há estudos que comprovam sua eficácia no tratamento de diversas doenças.

"Vários estudos com Canabidiol foram aprovados para epilepsias fármaco resistentes como derivadas das síndromes de Dravet e Lennox Gastaut. Já havia aprovação para espasticidade (rigidez dos músculos) na esclerose múltipla. Agora vêm crescendo evidências para uso em transtorno do espectro autista e em algumas condições associadas à doença de Parkinson", é o que explica o Profº Drº em Neurologia formado pela USP, Kelson James Almeida, professor da UFPI e da Unifacid.

O médico explica ainda que o uso do canabidiol de maneira isolada não costuma apresentar efeitos colaterais e que o protocolo atual envolve a prescrição por médico especialista e da ANVISA para a importação dos medicamentos.

A reunião para debater a aprovação do Projeto de Lei tem início às 10h e vai até as 16h, e será dividida em grupos de convidados e temas: mães, pais e associações de pacientes; representantes de instituições religiosas; médicos; cultivo; farmácia viva; pesquisa e setor regulado.

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