Promotor ajuíza ação contra prefeito de Parnaguá e pede regularização do Fundo da Criança e do Adolescente
A assessoria jurídica do Município informou que o fundo municipal do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente já está regular.O Ministério Público do Piauí (MPPI) ajuizou ação civil com pedido de tutela provisória de urgência em face do município de Parnaguá, administrado pelo prefeito Miguelão (Progressistas), requerendo a regularização integral do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA) pelo prazo máximo de 30 dias. O promotor de justiça Diego Cury-Rad Barbosa protocolou a denúncia no dia 26 de janeiro de 2026 na Vara Única da Comarca de Parnaguá.
A implementação do fundo municipal previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem sido acompanhada pelo MPPI desde 15 de julho de 2022, quando foi instaurado inquérito civil para apurar questões referentes à regulamentação, funcionamento e alimentação desse mecanismo público. Á época dos fatos, Jondson Castro Fé, conhecido como Alemão, era o prefeito da cidade.
Com o inquérito, a promotoria buscou averiguar se o município tinha regulamentado o fundo; bem como criado conta bancária, CNPJ e unidade orçamentária específica; além do recebimento de possíveis valores repassados.
Diante disso, a prefeitura e o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) foram oficiados para encaminhar a comprovação desses pontos e execução de ações custeadas pelo FIA, mas eles não responderam as requisições.
Devido a resistência na prestação de informações mínimas, os ofícios foram reiterados, porém, mesmo com o alerta de que a omissão dos dados representa uma prática ilícita, os órgãos não se manifestaram. Em razão disso, houve a necessidade de promover audiência extrajudicial, realizada em 23 de novembro de 2022, com os órgãos envolvidos, mas, o prefeito, a secretária de assistência social e o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), decidiram não comparecer de forma injustificada, reforçando que o assunto não é prioridade administrativa.
Uma assistente social foi encaminhada para representar o município na audiência e informou que estava prevista a nomeação de um novo presidente do CMDCA e afirmou não possuir informações sobre decreto regulamentador do FIA, tampouco sobre dados de conta bancária, portaria do ordenador de despesas e demais elementos estruturantes.
Consta na ação que, de 2022 a 2025, a gestão manteve um padrão persistente de omissão quanto as requisições ministeriais, resultando na continuidade da irregularidade.
Na última tentativa de resolver o caso de forma extrajudicial, o município foi instado novamente e apresentou resposta genérica, afirmando ter identificado a existência da legislação municipal que institui o Fundo, mas que o decreto regulamentador estaria “em fase de realização”.
Dos pedidos
O Ministério Público do Piauí requereu que o município comprove, no prazo de 30 dias, que existe uma lei responsável por instituir o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA), bem como edite e publique o respectivo decreto regulamentador, disciplinando sua estrutura administrativa, forma de gestão, vinculação a órgão municipal específico.
Também deve ser providenciada a inscrição do fundo junto à Receita Federal e a indicação formal do gestor desse mecanismo financeiro. Outras medidas também foram solicitadas, tais como comprovar abertura de conta bancária específica e efetuar os repasses orçamentos devidos ao FIA.
Em caso de descumprimento, o promotor requereu uma multa diária de R$ 3 mil a ser aplicada ao prefeito.
Outro lado
O Viagora procurou o prefeito de Parnaguá para falar sobre o assunto, mas o gestor não atendeu as ligações e não respondeu aos questionamentos encaminhados.
A assessoria jurídica do gestor também foi procurada e informou que o fundo municipal do CMDCA já está regular. Acrescentou ainda que as cobranças ministeriais vem de outra gestão e o novo prefeito já regularizou a criação e funcionamento do Fundo.