Mãe de Alice Brasil contesta inquérito policial e cobra justiça pela filha
Através das redes sociais, Dayana publicou um vídeo no qual afirma “minha filha morreu pela segunda vez, nas mãos da Polícia Civil do Estado do Piauí”.
Após a conclusão do inquérito policial sobre a morte de Alice Brasil, a mãe da criança, a fotógrafa Dayana Brasil, veio a público demonstrar sua revolta com o resultado da investigação que apontou a causa do óbito como um “acidente sem indícios de crime”.
Através das redes sociais, Dayana publicou um vídeo no qual afirma “minha filha morreu pela segunda vez, nas mãos da Polícia Civil do Estado do Piauí” acerca da finalização do inquérito divulgado às vésperas do Dia das Crianças. Ela convocou a população a se mobilizar em uma campanha que clama por justiça para que o caso não seja arquivado e passe pela avaliação do Ministério Público do Piauí.
Em outra publicação, a fotográfa afirmou que a dor da perda se intensifica com a sensação de impunidade. "Às vésperas do Dia das Crianças, revivo a dor mais cruel que uma mãe pode sentir. A investigação acabou por sepultar minha filha, mais uma vez. Nenhuma mãe deveria ver a memória da filha ser apagada duas vezes: a primeira, pela tragédia que tirou sua vida; a segunda, pela sugestão de arquivamento do inquérito. Continuaremos lutando por Alice e por todas as crianças que merecem segurança, respeito e verdade", escreveu no Instagram.
Defesa contesta conclusão da Polícia Civil
A advogada da família, Arielly Pacífico, também se pronunciou sobre o relatório final da Polícia Civil, que recomendou o arquivamento do caso. Segundo a defesa, a perícia constatou que o móvel que atingiu a criança tinha 1 metro e 20 centímetros, pesava 32 quilos, 675 gramas, e por isso deveria estar fixado na parede como recomenda a legislação.
Ainda conforme a advogada, a investigação também revelou que a brinquedoteca do Colégio CEV onde Alice morreu não foi preservado, pois passou por processo de limpeza e reorganização dos objetos antes da chegada dos peritos.
Arielly Pacífico contestou a conclusão da Polícia Civil, afirmando que o fato não se trata de mero acidente, mas sim de uma negligência estrutural.
“Isso tudo é negligência estrutural, omissão, descuido, falha na vigilância, não é destino. E mesmo diante de todas essas evidências levantadas em inquérito policial, a Polícia Civil do Estado, em relatório final, sugeriu o arquivamento do caso Alice Brasil, não indiciando nenhum responsável e apontando atipicidade, quando simplesmente não há crime e nem culpa. Entender que esse caso é atípico é negar a responsabilidade dos envolvidos e, mais grave: negar à família o direito da justiça’, afirmou.
Relembre o caso
Alice Brasil, de apenas quatro anos, estava na brinquedoteca do Colégio CEV, localizada no Centro de Teresina, quando foi atingida por uma penteadeira infantil. O fato aconteceu no dia 05 de agosto deste ano, por volta das 13h33.
O imóvel tombou após uma das crianças que estava na mesma sala entrar por debaixo da penteadeira. A criança foi atingida na região da cabeça e mesmo após receber os primeiros socorros, não resistiu aos ferimentos.

“Por volta do horário mencionado, a aluna Alice estava deitada no chão, brincando, enquanto as outras quatro crianças circulavam pelo ambiente. Inesperadamente, uma das crianças entrou por debaixo do móvel - uma penteadeira infantil - e ao se levantar, o mesmo tombou e atingiu Alice”, informou o colégio em nota.
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