Polícia

Neto de juíza de Demerval Lobão é alvo de operação da Polícia Civil

Segundo a Polícia Civil, a magistrada foi quem denunciou a fraude após ser informada por advogados dos verdadeiros herdeiros.
27/05/2021 15h46 - atualizado

Nesta quinta-feira (27), a Polícia Civil do Piauí informou que entre os alvos da Operação Inventário, realizada nessa quarta-feira (26) está o neto da juíza da comarca de Demerval Lobão.

De acordo com a polícia, Diego que foi detido na cidade de João Pessoa na Paraíba é suspeito de oferecer à organização criminosa investigada, facilidades na tramitação dos processos fraudulentos de inventários.

De acordo com a Polícia Civil, a magistrada Maria da Paz e Silva Miranda, foi quem denunciou a fraude após ser informada pelos advogados dos verdadeiros herdeiros de uma das vítimas, um homem identificado como Rui, morreu na cidade de Curitiba, no Paraná, mas que teve o processo de inventário iniciado em Demerval Lobão.

  • Foto: Polícia CivilDelegado Anchieta Nery.Delegado Anchieta Nery.

Segundo o delegado Anchieta Nery, o neto da magistrada é suspeito de ser cooptado por essa organização criminosa para facilitar o andamento desse processo.

Ainda de acordo com a polícia, Diego é guarda municipal na cidade de Caxias, no Maranhão e teria recebido R$ 30 mil da organização para interferir e agilizar os processos. 

"A magistrada, titular da comarca de Demerval Lobão, foi a pessoa que procurou a Polícia Civil para iniciar o trabalho investigativo, logo após o advogado da família verdadeira do Paraná peticionar nos autos, alertando da fraude existente. Iniciados os trabalhos investigativos, em determinado momento a equipe de investigação chegou na figura do senhor Diego, neto da magistrada. Ele figura como investigado pelo fato de ter recebido valores financeiros, para facilitar ou agilizar o despacho do processo", disse o delegado.

A polícia informou que após denunciar o neto, a juíza se declarou impedida, se afastou da investigação formalmente e o seu substituto passou a ser o responsável pelas medidas judiciais determinadas durante a investigação.

Sobre a investigação

Durante uma coletiva, a Polícia Civil esclareceu que as investigações tiveram início em outubro do ano passado, após a denúncia de que um processo de inventário de um homem que morreu no estado do Paraná teria sido aberto na comarca de Demerval Lobão, no Piauí.

De acordo com o delegado Mateus Zanatta, um dos responsáveis pelas investigações, o líder da organização identificado como Dellano preso em São Paulo, recebia informações privilegiadas sobre a morte de pessoas de alto poder aquisitivo que não possuíam herdeiros ou sucessores e, a partir disso, cooptava advogados que eram responsáveis por ingressar com as ações fraudulentas no judiciário piauiense, usando documentos falsos.

  • Foto: Divulgação/Polícia CivilOrganograma feito pela Polícia Civil sobre a organização criminosa.Organograma feito pela Polícia Civil 

Conforme as investigações, a organização criminosa conseguiu obter êxito em pelo menos em cinco processos de fraude, um de inventário em Demerval Lobão, e quatro processos trabalhistas no estado do Maranhão e chegou a movimentar R$ 2 milhões.

Segundo a polícia, o grupo também tentou iniciar processos semelhantes de inventários fraudulentos na comarca de São Pedro do Piauí. Os valores obtidos pelas fraudes eram lavados através da compra de carros de luxo, imóveis de luxo, e empresas. 

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