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"Queria estar na minha casa", relata vítima de alagamentos em Teresina

A Escola Domingos Afonso Mafrense, na zona Norte da cidade abriga pelo menos 15 famílias vítimas das enchentes.

  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 1 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
  • Luis Marcos/ Viagora Paulo Cesar, Pintor 2 / 15 Paulo Cesar, Pintor
  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 3 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 4 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
  • Luis Marcos/ Viagora Maria do Socorro, Dona de casa 5 / 15 Maria do Socorro, Dona de casa
  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 6 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
  • Luis Marcos/ Viagora Herbert, Motorista 7 / 15 Herbert, Motorista
  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 8 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 9 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense
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  • Luis Marcos/ Viagora Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense 15 / 15 Famílias abrigadas na escola municipal Domingos Afonso Mafrense

Com as fortes chuvas que provocaram inundações em Teresina diversas famílias foram impactadas e tiveram suas casas destruídas e seus pertencentes levados pela água da chuva. Diante dessa situação, as salas de aula das escolas municipais da capital se tornaram uma casa temporária para muitas famílias.

O Viagora esteve nesta terça-feira (11) na Escola Domingos Afonso Mafrense, na zona Norte da capital, para acompanhar de perto a realidade dessas famílias que estão abrigadas no local.

O motorista Hebert, de 43 anos, afirmou à reportagem que está há pelo menos 15 dias abrigado em uma das salas do colégio junto a a esposa e dois filhos. Enquanto as crianças brincavam ao lado do local alheias a situação, o motorista relatou otimismo em meio a situação e explicou como foi atingido pelas inundações.

“A situação até que está boa, eles estão dando atenção para a gente. Depois que nossa casa alagou, a água nos pegou de surpresa, além de mim, os parentes que moraram próximo também. Eu optei por vir para cá porque eu moro por aqui e trabalho aqui perto”, explica Hebert.

O motorista ressalta ainda que a prefeitura municipal oferece cestas básicas e assistência social para auxiliar as pessoas que estão no local e que foi cadastrado em um programa municipal de moradia, mas ainda não tem previsão de quando será beneficiado.

"Só foi fornecido cesta básica, tem também a assistente social que de vez em quando vem perguntar o que nós precisamos. Até agora não está faltando nada. Já fomos cadastrados pela prefeitura e pelo estado. Não temos previsão de quando retornaremos para casa, eles chegam fala uma coisa, falam outra e ficamos sem saber. Nós estamos aguardando uma posição, nós queremos ou a casa ou iremos voltar porque a água já abaixou. A gente não queria mais voltar para lá, mas se for pra continuar aqui no colégio a gente tem que voltar para o mesmo local”, relatou.

Diferente da perspectiva do motorista, a dona de casa, Maria do Socorro, de 54 anos, desabafou afirmando que mesmo com as cestas básicas e o abrigo fornecido pela prefeitura a situação ainda é ruim.

“Nós recebemos ajuda, mas eu estou achando ruim porque eu queria estar na minha casa. Eu ouvi dizer que vão dar uma casa para a gente no Torquato Neto e eu não quero ir para lá, porque é ruim sair de um lugar que alaga para outro que também alaga”, afirmou.

Maria do Socorro afirmou que a expectativa é de retornar logo para a moradia própria e lamenta a situação. "Eu queria voltar logo, eu só não fui embora daqui porque minha casa é de taipa e os paus em cima da casa estão quebrados já estava perigoso para nós. Quando chovia era melhor estar na chuva do que estar dentro de casa. Toda vez o chão minava água e molhava tudo”, declarou.

Abrigada com filhos e netos a dona de casa relata ainda que há dias em que não consegue dormir preocupada com sua situação. “Tem dias que eu nem durmo. Eu fico preocupada. Ontem eu não consegui dormir porque a tosse vinha e eu já apresentava cansaço. Eu queria estar no meu cantinho, na minha casa”, ressaltou.

O pintor Paulo Cesar, de 33 anos, que está abrigado em uma das salas da escola com sua esposa e a filha de apenas 1 mês e 20 dias, relata que voltar para casa é difícil, porque mesmo se quisesse não poderia, devido a residência ter sido completamente destruída pela água.

"As paredes da minha casa caíram e nós precisamos de abrigo por isso viemos para cá. Eles nos deram cestas básicas e colchões, mas dinheiro ainda não. No momento está difícil, porque as paredes da nossa casa caíram, nem se a gente quisesse teria como voltar, está só o lugar lá”, diz Paulo Cesar.

A agente da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), Daniela Priscila, informou que a prefeitura tem fornecido cestas básicas, kit de higiene e colchões para as famílias e afirmou que os desabrigados também recebem doações de outras pessoas e instituições.

De acordo com a agente da Semcaspi, são 45 pessoas abrigadas somente na Escola Domingos Afonso Mafrense, um total de 15 famílias e 10 crianças com idades que variam de 0 a 6 anos.

Ainda segundo a agente as famílias desabrigadas foram cadastradas em um programa de moradia e os dados foram encaminhados para Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Semduh). As pessoas que estão nas escolas ainda não recebem auxílio, apenas as famílias foram acolhidas pelo Programa Família Acolhedora. 

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