Genevaldo Silva

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Candidata do PRB no Piauí recebeu R$ 446 mil e só teve 319 votos

21/02/2019 08h50 - atualizado

O PSL de Pernambuco está sendo investigado por supostamente ter usado a candidata a deputada federal Lourdes Paixão como “laranja”. A acusação se dá pelo fato da candidata ter recebido R$ 400 mil do PSL, através do Fundo Partidário, e ter obtido apenas 274 votos na eleição de 2018. De acordo com a denúncia publicada no jornal Folha de São Paulo, a candidatura da deputada é considerada de fachada devido sua inexpressiva votação em relação ao montante de recursos recebido para bancar sua eleição.

Fato semelhante ocorreu na eleição de 2018 no Piauí com a candidata a deputada federal Soraya Coelho do Partido Republicano Brasileiro (PRB), que tem como presidente no Piauí o deputado estadual Gessivaldo Isaías.

Soraya Coelho recebeu de doações o valor total de R$ 453.383,55 (quatrocentos e cinquenta e três mil e trezentos e oitenta e três reais e cinquenta e cinco centavos). Desse montante, a direção nacional do partido lhe repassou R$ 446.955,61 o que corresponde a 98,69% de recursos arrecadados pela candidata. Do Fundo Eleitoral, dinheiro público para bancar a campanha, foi repassado a quantia de R$ 300 mil. E do Fundo Partidário ela recebeu R$ 146.955,61. Com recursos financeiros dessa monta, a candidata teve apenas 319 votos.

A candidata recebeu ainda R$ 5.927,94 de doações de pessoas físicas e mais R$ 500 repassados pela direção estadual do partido.

  • Foto: Divulgação/TSESoraya CoelhoSoraya Coelho

Como se nota, o caso do Piauí é muito mais grave do que o denunciado contra a candidata do PSL de Pernambuco. Pois, a candidata do PRB recebeu do partido quase meio milhão de reais e obteve uma quantidade muito pequena de votos.

Essa foi a primeira participação da candidata do PRB numa eleição proporcional a nível federal. Não se sabe os motivos pelos quais a direção nacional do partido resolveu investir 'pesado' numa candidata iniciante e sem expressão política no estado.

Esse fato também precisa ser investigado pelo Ministério Público Eleitoral do Piauí.

Diferença entre Fundo Eleitoral e Fundo Partidário

O Congresso Nacional aprovou em 2017 o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), mais conhecido como Fundo Eleitoral. Os recursos desse fundo são da ordem de R$ 1,7 bilhões, são provenientes de recursos públicos, e foram utilizados pelos partidos bancarem as campanhas de seus candidatos já em 2018.

O Fundo Partidário serve para garantir o funcionamento dos partidos. No entanto, na eleição de 2018 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitiu o uso de recursos desse fundo para bancar o financiamento de campanhas políticas.

Os recursos do Fundo Partidário são provenientes de dotações orçamentárias da União, por recursos definidos por Lei, por multas eleitorais e doações de pessoas físicas e jurídicas.

Outro lado

O Blog procurou o deputado estadual Gessivaldo Isaías e a candidata Soraya Coelho para falarem sobre o assunto, mas até o fechamento da matéria eles não foram localizados. 

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