Piauí

OAB-PI defende advogada assaltada em Piripiri e emite repúdio

A advogada acabou sendo alvo de críticas após se manifestar sobre um vídeo que mostra policiais de Piripiri agredindo um suspeito de furto.
19/04/2019 14h54 - atualizado

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí, emitiu nota para se solidarizar com a advogada, Faelem Nascimento, que foi alvo de assalto na noite da última quarta-feira (17), no centro de Piripiri. Um vídeo mostra a ação dos criminosos que levaram os seus pertences pessoais chegando a arrastá-la no chão.


“Reiteramos o nosso compromisso histórico com a defesa das garantias e direitos fundamentais e temos como prioridade atuar no combate de todo e qualquer ato que viole os preceitos constitucionais, sobretudo, àqueles que se referem à defesa da vida”, diz a nota.

A advogada acabou sendo alvo de críticas após se manifestar sobre um vídeo que mostra policiais de Piripiri agredindo um suspeito de furto. Comentários nas redes sociais e até portais de notícias tentaram relacionar a suposta “defesa de bandido” com o assalto do qual foi vítima.

  • Foto: Facebook/Faelem NascimentoAdvogada Faelem Nascimento.Advogada Faelem Nascimento diz que nunca esteve a favor de réu.

Em uma postagem do dia 11 de abril, Faelem conta que “é obrigação da Polícia Militar (representando o Estado) ao prender um indivíduo preservar a integridade física deste”. Ela reforçou que “o preso não oferecia qualquer ameaça ou resistência”.

“Não estou defendendo bandido nem querendo ‘adotar’ como já vi em várias postagens no Facebook, mas nós juristas, devemos interpretar a lei como tal”, argumentou a advogada citando a Lei 9.455, de 7 de abril de 1997.

Em nova publicação dessa quinta-feira (18), ela reforça a sua defesa. “Em 2 anos de advocacia nunca defendi nenhum criminoso, e jamais defenderei. Nunca fui contra a polícia, nem a policiais, sou inclusive advogada de 3 policiais! NUNCA ESTIVE A FAVOR DE RÉU! Outrossim, na condição de advogada e membro da OAB/PI, fiz um juramento que me impede de me manifestar como cidadã, partindo de um senso comum, pois a partir do momento que o senso comum vai em desencontro com o que jurei cumprir eu não posso externá-lo. É uma obrigação ética! Ademais, caso eu algum dia incitasse o crime (bandido bom é bandido morto) eu estaria incorrendo em um crime e sujeita a processo ético-disciplinar pela OAB, com risco de perder minha carteira”, escreveu.

A Associação dos Advogados e Defensores Públicos Criminalistas do Estado do Piauí (AADPCEPI) também publicou nota de apoio a Faelem repudiando reações e comentários “maldosos e discriminatórios que acabaram surgindo em portais de notícias e nas redes sociais, sobretudo, em função do seu mister de advogar”.

“Defender o direito nunca foi uma missão fácil, muito menos para covardes, e a força dessa associação demonstra e grita aos quatro cantos que nunca ficará inerte quando um advogado for ferido em sua honra de exercer à advocacia e defender a justiça”, diz a nota da AADPCEPI.

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