Opala piauiense ganha força com inovação e retoma protagonismo no mercado
O projeto reúne ciência, tecnologia e produtores para valorizar a gema de Pedro II e ampliar sua presença nacional e internacional
A opala extraída no Piauí vive um novo momento de valorização impulsionado por investimentos em ciência, tecnologia e articulação institucional. A mudança é resultado da retomada do Arranjo Produtivo Local (APL) da opala, coordenado por pesquisadores do Instituto Federal do Piauí (IFPI) e da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), com apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
De acordo com o governo, a iniciativa integra mineradores, artesãos, empreendedores e pesquisadores com o objetivo de estruturar toda a cadeia produtiva da gema, especialmente em Pedro II, principal polo de extração. Considerada uma das mais valiosas do mundo por sua resistência e pelo característico “jogo de cores”, a opala piauiense agora busca maior inserção no mercado internacional.
Por décadas, a exploração da pedra ocorreu de forma informal, com pouca tecnologia e ausência de certificação, o que limitava sua valorização. Com o APL, esse cenário começa a mudar por meio da qualificação técnica, inovação e práticas sustentáveis.
Conforme o governo, entre os avanços estão a criação de um índice de sustentabilidade, que avalia impactos sociais, ambientais e econômicos da atividade, além de estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e ao reaproveitamento de resíduos da mineração. Outro destaque é a pesquisa para identificar a “assinatura” da opala piauiense, essencial para garantir autenticidade e agregar valor ao produto.
Em menos de dois anos, o projeto já promoveu a capacitação de garimpeiros e artesãos, fortaleceu a governança do setor e iniciou o processo de internacionalização da gema. Em 2024, Teresina sediou o Inova Joalheria, primeiro congresso do segmento no Nordeste, reunindo especialistas em design, tecnologia e mercado.
Segundo o governo, outro marco foi a reabertura do Centro de Tecnologia e Artefatos Minerais (CETAM), em Pedro II, após quase 20 anos. O espaço passou a oferecer cursos em gemologia, lapidação, ourivesaria e design 3D, ampliando o acesso ao setor. A opala piauiense também ganhou visibilidade internacional ao participar da Tucson Gem Fair, além de receber a visita de pesquisadores do Gemological Institute of America, que coletaram amostras para estudos de certificação de origem.
Para o presidente da Fapepi, João Xavier, o projeto representa um passo importante para posicionar o estado no cenário. “Nosso investimento é também simbólico. Trata-se de reposicionar o Piauí na gemologia internacional e transformar ciência em desenvolvimento”, explica.
Já a professora Lilane Brandão destaca que a proposta é conciliar a exploração mineral, recuperação de áreas degradadas e justiça social.
Todo esse avanço também vem do apoio das Secretarias de Estado de Desenvolvimento Econômico (SDE) e do Planejamento (Seplan).
Pedro II
Piauí
Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan)
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
Fapepi
Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Instituto Federal do Piauí - IFPI
Governo do Piauí
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