Merlong diz que Reforma da Previdência deve combater privilégios
"Eu entendo que salário integral de 30, 40, 50 mil reais para o resto da vida é um privilégio num país nas condições sociais e econômicas do Brasil”, disse o secretário.
O secretário interino de Governo do Piauí, Merlong Solano (PT), concorda que a Reforma da Previdência precisa ocorrer, mas pontua que os mais pobres não podem ser atingidos e que precisa-se combater os privilégios dos servidores públicos. Ele concedeu entrevista na tarde desta sexta-feira (22) à TV Cidade Verde.
“A Reforma precisa ser feita. É preciso fazer um ajuste muito forte na área do servidor público. Não dá pra que a Previdência continue sendo um instrumento de consagração de privilégios. Eu entendo que salário integral de 30, 40, 50 mil reais para o resto da vida é um privilégio num país nas condições sociais e econômicas do Brasil”, disse.
- Foto: Alepi
Merlong Solano analisa pontos da Reforma da Previdência.
Merlong Solano relata que a expectativa de vida do brasileiro vem crescendo e que isso pode impactar nas contas da Previdência. “Precisa fazer um reajuste em relação à idade de aposentadoria porque nós estamos vivendo cada vez mais. Tem gente que se aposentou com menos de 40 anos e vai viver até os 90, podendo chegar aos 100 anos. Que Previdência é capaz de sustentar uma situação dessa? Mas não se pode jogar o peso sobre os mais pobres”, reitera.
O secretário falou, ainda, que a população de baixa renda, no caso do Regime Geral de previdência, é atingida fortemente com o aumento de contribuição de 15 para 20 anos, e com o aumento da idade necessária para receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para ele, este benefício serve com uma saída para aqueles que não conseguirem atingir as contribuições necessárias para recebimento de aposentadoria.
“O governo está atingido esse cidadão de duas maneiras negativas. Quer aumentar o tempo mínimo de contribuição para 20 anos; e aumentar a idade de acesso ao benefício para 70 anos. É melhor botar uma guilhotina e cortar logo o pescoço desse cidadão e mandar enterrar”, opinou.
Governador critica mudanças no BPC
O governador Wellington Dias (PT) criticou a forma como a Reforma da Previdência apresentada pelo Governo Federal trata o BPC, atualmente concedido a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, com 65 anos ou mais.
A proposta levada ao Congresso Nacional determina que esse público deve aguardar até os 70 anos para receber o benefício integralmente. Um valor menor, de R$ 400, poderá ser pago a partir dos 60 anos.
“Quando se coloca um aumento da idade para 70 anos e redução no valor do benefício para um grupo que já é necessitado socialmente, isso é muito explosivo. Na verdade, é colocar nas costas dos mais pobres o peso do sacrifício, de forma acima de outro setor que tem salário”, afirmou Wellington Dias.
Possibilidade de votação da Reforma
Na semana passada, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), afirmou que aReforma da Previdência pode estar pronta para ser votada em plenário até o fim de maio.
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