Política

“O Piauí não perdoa ingratidão”, diz Fábio Novo sobre Ciro Nogueira

O deputado estadual comentou sobre o rompimento de relações políticas entre o seu partido, o PT, e o Progressistas de Ciro Nogueira.
17/08/2020 06h26 - atualizado

Na última semana, o cenário político piauiense viu uma mudança grande acontecer. O PT de Wellington Dias rompeu politicamente com o Progressistas de Ciro Nogueira, partido do qual era aliado desde as eleições de 2014.

Em declarações recentes à imprensa, o senador e presidente nacional do Progressistas tem feito críticas ferrenhas à atual gestão do Governo do Piauí, o que tem gerado descontentamento dos petistas.

O deputado estadual e ex-secretário estadual de Cultura, Fábio Novo (PT), comentou, em entrevista ao Viagora, que considera justa a decisão do senador de romper com o governo, mas que não entende as críticas feitas por Ciro.

“Eu acho que cada partido tem o direito de seguir o caminho que achar melhor. A gente tem que respeitar a decisão do Progressistas, o senador Ciro resolveu seguir um outro caminho. Quando você rompe com o governo, eu não acho ético que você saia falando do mal governo que ajudou a construir, a eleger. Eu já fui aliado político do ex-governador Wilson Martins e quando houve um rompimento do PT com o PSB, eu não saí falando mal e nem dizendo que ia fazer oposição. Cada um seguiu o seu caminho, porque não é ético eu participar de um projeto, que eu ajudo a eleger, e depois de um desentendimento eu saio e vou dizer que esse projeto é ruim”, declarou.

  • Foto: Kelvyn Coutinho/ViagoraDeputado Fábio Novo (PT).Deputado Fábio Novo (PT).

O deputado afirmou que o rompimento de Ciro com o PT faz parte de um projeto político do senador para as eleições de 2022.

“Se eu achava que esse projeto era ruim, eu não deveria ter participado dele e nem ter trabalhado para que ele fosse eleito. O que está por detrás dessa posição do senador Ciro é que ele deseja construir uma nova base política, pensando já na eleição de 2022. E dentro do projeto do senador Ciro para 2022 não comporta o PT. O senador Ciro deixou claro várias vezes que não queria mais acordos políticos com o PT. Percebemos pelos vários áudios vazados do senador, onde ele coloca claramente que ele não queria mais acordo político com o PT, que queria construir sozinho, inclusive tem áudios que ele diz que ele quer derrotar o PT e quer derrotar o governador”, comentou.

Apesar do rompimento, a maioria da bancada do Progressistas na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) decidiu permanecer na base de Wellington. Sobre isso, Fábio Novo declarou que os parlamentares entendem que participam do projeto de construção da administração estadual.

 “Eles decidiram continuar porque eles têm o bom senso de entender que ajudaram a eleger esse projeto e que eles não vão embarcar numa coisa que é muito pessoal do senador. Acho que eleição de 2022 a gente tem que discutir no momento certo. Ainda não é o momento. O senador Ciro deixou claro em várias conversas com lideranças políticas que gostaria de montar uma base política em cada um dos 224 municípios do Piauí, e disse para essas lideranças que gostaria que nessa base não tivesse o PT. Ele disse isso, não fui eu que disse. Então eu acho sim que o PT foi importante para a eleição do senador Ciro. Eu votei e trabalhei pelo senador Ciro”, disse.

Para o deputado, Ciro Nogueira teria o desejo de cortar relações com PT desde depois das eleições de 2018, quando foi reeleito senador da República na chapa encabeçada pelo governador Wellington Dias.

“Para ver como já havia esse desejo dele de rompimento, uma semana depois da eleição, ele soltou uma carta fazendo críticas, então ali ele já estava preparando terreno, depois vieram esses áudios, depois vieram outros áudios, onde ele diz em uma conversa com o prefeito de Nossa Senhora dos Remédios que deseja montar uma base eleitoral nos 224 municípios e deixa claro que não quer que nesse lado tenha o PT. Então o senador já tinha rompido com o partido, ele já vinha trabalhando dentro do governo, participando desse projeto, um projeto que o PT não ia fazer parte. Mas assim o que eu vi na história é que quem fez isso não se deu bem. Já vi outras pessoas que fizeram isso e a população do Piauí não perdoa a ingratidão. As pessoas não vão entender por que eu era bom até ontem e hoje eu sou ruim. Até ontem, eu dizia que o Wellington Dias e o governo eram bons, a partir de hoje não é mais. As pessoas não vão entender, isso fica muito incoerente”, declarou.

Fábio Novo, que é pré-candidato a prefeito de Teresina, comentou sobre a última pesquisa de intenção de voto do Instituto Opinar, onde aparece em 4º lugar com 4,5%, atrás de Dr. Pessoa (MDB), Fábio Abreu (PL) e Kleber Montezuma (PSDB).

“Eu não costumo questionar números, mas no caso do Opinar, em relação aos meus números, eles não batem ao que nós temos realizado. Dos demais candidatos até bate um pouco, mas as porcentagens que colocaram para mim não. Porque nas pesquisas que eu tenho, que eu acompanho, que eu monitoro, nós sempre estamos na faixa dos dois dígitos. Eles também fizeram uma pesquisa em Piripiri que destoa muito dos demais institutos. É uma pesquisa encomendada pelo PSDB, que tem um candidato. É um instituto que além de ter feito a pesquisa para o PSDB, é um instituto que realiza as pesquisas para a Prefeitura de Teresina da Covid-19. Então em relação aos meus números eu acho que eles não acertaram, eu acho que eles estão errados. Talvez seja uma estratégia para puxar o Fábio Novo para baixo”, finalizou.

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